quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Show Aparecida Silvino e Celso Viáfora

E ai pessoal! Dia 26 agora no mercado dos pinhões acontecerá o show "Não estamos sós" Com Aparecida Silvino (Minha tia!) e o Celso Viáfora. Gostaria de convidar a todos pra irem ver e ouvir. O fórum de quadrinhos do Ceará também participará do evento.
DJ.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

FIQ

Oi pessoal! Resolvi fazer um post falando um pouco de como foi o FIQ 2011.
Fomos em caravana daqui de Fortaleza eu, Luís CS, Marus Rosado. Depois chegaram Geraldo Borges e a Solange. Também estavam lá Zé Wellington e a noiva dele.

Ficamos em uma mesa bem localizada, mais ou menos no meio do evento. Era uma área de passagem de pessoas muito grande. Foi muito bom pra gente ver a reação das pessoas ao passar pela mesa e ver os quadrinhos, abrir, ler na hora, rir de alguma coisa. Acabei vendendo todas as edições da minha HQ (Oigo) que levei pra lá (50). É claro que algumas eu dei de graça ou troquei com algumas pessoas. Um dos momentos mais legais foi pegar o autógrafo do Maurício de Souza! Ele deu uma entrevista coletiva e depois uma palestra aberta ao público.



Conhecemos muitos desenhistas, e ficamos ao lado do desenhista da revista "Val", Eric Ricardo, ele foi muito gente boa com agente. Sábado e domingo foram os dias mais lotados. Das atrações que acompanhei, eu estava no painel da Marvel, que foi bem interessante. Destaque para o fã que questionou porque o cetro do Dr. Estranho é igual ao da Sakura Card Captors. filmei quase todo, depois vou ver se posto no youtube. Conseguimos divulgar bastante o fórum de quadrinhos do Ceará e voltamos pra casa cheios de novas idéias e gás pra nossos quadrinhos!






quarta-feira, 18 de maio de 2011

Curso de animação 2d Digital com Diego J.

Olá amigos

Estarei realizando um curso de animação 2d digital na casa amarela em Junho. O curso será completamente realizado em tablet wacom profissional, direto no computador. Uma ótima oportunidade para quem quer se familiarizar com essa ferramenta cada vez mais utilizada pelos grandes estudios e aprender animação 2d clássica.

Falando um pouco sobre meu currículo, trabalho com animação desde meados de 2002, tive meu inicio no curo da casa amarela, trabalhei no estudio LUNART aqui em Fortaleza, produzindo curtas, séries e comerciais, entre os mais famosos parte da série Apiguana. Atualmente trabalho no longa de animalção 2d "Fuga em Ré menor para kraunus e Pletskaya" do Estúdio Otto desenhos animados, com sede em Porto Alegre.


Tralier de "Fuga em Ré menor para kraunus e Pletskaya" :
http://www.youtube.com/watch?v=9xWZ1pLRkws

Ai vai os detalhes e o programa. Peço que repassem a quem tiver interesse e divulguem aos amigos.
Obrigado.

Informações: 3491 18 84/ 91 81 41 88

Curso de animação 2d Digital

Diego J.


Programa


Professor: Diego José.

Local de Realização: Casa amarela Eusélio Oliveira Av. da Universidade, 2591 – Benfica CEP 60415-110 – Fortaleza – CE

Período de Inscrições: 16 a 31 de Maio/ 2011.

Início de aulas: 2 de junho/2011.

Duração do curso: 2 meses

Dias e horário: terças e quintas- turmas de 14h as 16h e 17h as 19h.

Mensalidade: 80 reais/ mensal.


01 (02/06/2011)-Introdução:
-Histórico da animação apresentação do curso.

-Histórico da animação como um todo e animação brasileira.

- Mostrar algumas coisas do meu Portfólio (Fuga em Ré - Trailer e processo de produção).

-Visão sobre animação: Artística versus comercial.

- Processo de animação com o Tablet-Introdução ao programa utilizado no curso e cuidados ao manusear o tablet.

-Introdução ao uso do Mirage Studio.

Exercício: Animação livre para adaptação ao programa.


02-(07/06/2011) Noções básicas de animação:

Noções básicas de animação:

-Tempo, espaço.

Características da bola saltitante (Arcos, distância entre frames, peso, impacto no chão).

Exercício: Bola saltitante normal


03- (09/06/2011) -Métodos de animação
(vantagens e desvantagens de cada um)

Animação por quadros chave

Animação direta

A união dos dois métodos.

(o conteúdo pode entrar no assunto da próxima aula e deixar mais tempo pro exercício na próxima aula).


04-(14/06/2011)-Tipos de quadros:

Quadros-chave (importância dos quadros chave, mostrar o ponto da cena, etc.).

Posição de passagem (Posição de passagem normal e alterada, como a posição de passagem é importante na atuação e flexibilidade).

Intermeios: Como fazer intermeios e como alterá-los. (erros clássicos de intermeios, outras características).


Exercício: Completar as posições de passagem e intermeios em três quadros chaves propostos.


05(16/06/2011)- Comentários em espaço.

Animação em perspectiva

Squash e strech- Quando usar.

Exercício: Bola saltitante com “strech”.


06- (21/06/2011)- Caminhadas:

Quadros chave básicos de uma caminhada

Características de cada posição. Peso, movimento de cada parte do corpo.

Considerações gerais sobre caminhadas

Exercício: Intervalar os quadros-chave de uma determinada caminhada.


07-(23/06/2011)-. (feriado)


08-(28/06/2011)- Continuação de caminhadas

Exercício: Continuar o exercício da aula anterior. E iniciar outro exercício: Criar uma nova caminhada completa.


09-(30/06/2011)- Corridas e saltos

Características das corridas e saltos.

Exercício: Criar um começo de corrida e um salto


10-(05/07/2011)- Flexibilidade:

Posição de passagem alterada

Partes que se movimentam separadamente (overlaping action)

Peças anexas ao corpo do personagem com movimento independente

Membros do personagem que se movem atrasados (mão em relação a ante-braço, etc.)

Antecipação

Acentos

Exercício: Criar posições de passagem alteradas em determinados quadros-chave.


11-(07/07/2011)- Continuação de flexibilidade:

Prática.

Exercício: Criar animação livre utilizando os elementos aprendidos (Quem não tiver terminado o exercício da aula anterior, pode terminar nessa.).


12-(12/07/2011)- Peso.

Considerações sobre peso, exemplos.

Exercício: Intervalar duas animações, de personagem levantando objetos, um leve outro pesado.


13-(14/07/2011)- Criação de personagem e model sheet. (Everton)

Como criar um model sheet, ou estudo de um determinado personagem.

Exercício: Criação de um personagem e a produção de seu model sheet.

(Pedir que os alunos tragam na próxima aula um exemplo de roteiro para criação de storyboard, máximo dois parágrafos).


14-(19/07/2011) Roteiro e storyboard.

Exemplos de roteiro e Storyboard, comentários.

Exercício: Criar um storyboard a partir do roteiro de cada um.


15- (21/07/2011)- LipSync- Sincronismo Labial.

Técnicas e dicas de como realizar sincronismo Labial.

Exercício: Cada aluno receberá um arquivo com som (uma frase) e um personagem simples para fazer o sincronismo Labial na frase.


16- (26/07/2011)- Continuação da Aula de Lipsync.

Exercício: Continuação de exercício.


Obrigado a todos.
DJ.


segunda-feira, 18 de abril de 2011

O Rato do Prédio


         

        E ai pessoal! Voltando a série de Pin-Ups de quadrinhos de amigos, aqui está minha versão do Rato do Prédio, de Alexandre Vidal, mais conhecido como Falex. O Rato do prédio é um dos personagens mais importantes de se citar em se falando de quadrinhos cearenses. Sendo produzido já a bastante tempo pelo Alexandre. Falex fez parte de uma das primeiras e mais produtivas turmas da oficina de quadrinhos da UFC. Geração que revelou muitos talentos que hoje ainda estão produzindo coisas boas. Quando eu mostrei minha cara feia por lá a primeira vez acho que ele já tinha feito umas 30 edições. Pessoalmente sempre fui fã do Falex pela sua personalidade artistica e nivel de produção em quadrinhos. O trabalho dele é muito pessoal e inconfundível, coisa que admiro e busco pra  mim.  Falex hoje em dia faz parte do coletivo de quadrinistas The comics Cafe,  e foi sob esse selo que recentemente  lançou ou relançou o Rato do prédio Número 01. A revista já está a venda no site.

     A história se passa em sketchtown, cidade dominada pelas grandes editoras de quadrinhos, que escravizam personagens, ou cartoons, como Falex descreve, para trabalharem em suas edições. Só que tais grandes editoras, não por coincidência completa, são grande empresas inescrupulosas que produzem apenas coisas bonitinhas com heróis salvando o dia e dando bons conselhos. Mais ou menos como oque fizerem com o Robocop no Robocop 2. Mas existe uma esperança, o Rato do prédio, que é o simbolo da revolta dos personagens contra o controle das editoras e suas fórmulas pré-estabelecidas. Seja com seus músculos avantajados ou com armas, o Rato não vai perdorar ninguém. A história tem uma crítica inteligente a indústria de quadrinhos, e seus cliches de super herói, que como todos sabemos, tem suas ideías do que vende, do que as pessoas querem e se prendem a isso com mais força doque um face-huger alien, não dando espaço a autores independentes. Essa história é velha e já vi muitos autores como Dave Sim ou Scott McLoud falarem sobre o assunto, dentro e fora de seus quadrinhos. Isso continua até os dias de hoje, embora tenha melhorado em alguns aspetos,  é sempre bom ver que a resistência continua. Estamos indo, cada um com seu personagem tentando passar por todos os obstáculos. Sorte do Falex que com o Rato, pode explodir todos logo de uma vez!

DJ.

      

 




 


terça-feira, 15 de fevereiro de 2011


Oi pessoal! Hoje estou passando aqui pra postar um trabalho que terminei recentemente. Trata-se de uma capa de livro, chamado "The Chronicles of Kale"-A dragon´s awakening." O livro será lançado nos Estados Unidos, não sei se virá pra cá algum dia. Se alguém tiver interesse em saber mais sobre o projeto:

http://www.amazon.com/Chronicles-Kale-Dragons-Awakening/dp/1937004295

http://www.ayaknight.com/

É issaê.

DJ.



sábado, 12 de fevereiro de 2011

Pin Up Anônima


Mais um pra coleção de PinUps de personagens de fanzines que eu conheci no dia do quadrinho nacional em Fortaleza. Esse é da personagem "Anônima", de  edição do mesmo nome, feito pelo grupo Gattai, de Sobral-CE. A HQ é muito legal, divertida, e os personagens falam no melhor "cearencês" que já vi em uma HQ. Engraçado bagarai! RS

Pra conheçer mais do trabalho do Pessoal do Gattai:

http://www.gattaizine.blogspot.com/

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Pin Up- Raymonds



Uma das coisas mais legais nessa existência de autor de quadrinhos é algo que estou meio que redescobrindo agora. É desenhar personagens de amigos seus e receber desenhos dos seus personagens. É sempre massa ver a visão de outra pessoa sobre determinada coisa, a interpretação  dela de uma coisa que você conheçe.  É quase como o kiko zambianchi cantando hey jude...Bem não exatamente a mesma coisa, mas enfim.... Este  é um Pin Up que fiz do fanzine de um amigo meu, o Everton Rocha, sua obra é Raymonds. Fala sobre um grupo de adolescentes de colégio que descobrem ser destinados a uma missão muito importante envolvendo poderes, artes marciais e muito bom humor. Everton é um dos poucos reais fãns do Legendário Dave Sim que conheço aqui em Fortaleza, e eu ele temos essa missão sagrada de fazer mais pessoas conhecerem Dave Sim e seu legado ao mundo quadrinístico.  Ei a missão é sagrada mesmo, viu? É sem brincadeira!

Bem, sem mais delongas, recomendo o fanzine Raymonds e ai está o pin Up!

Lembrando que quem quiser me mandar PinUps do Oigo, eu adoro-o-os como já disse, e publico tanto aqui como nas edições impressas. See ya!

DJ.

Dia do quadrinho em Fortaleza


Oi a todos!

Venho aqui meio atrasado agradecer a todos que estavam presentes no dia do quadrinho nacional aqui em Fortaleza. Teve gente que veio de longe! Isso é mais uma prova do interesse que as pessoas tem por quadrinhos aqui em Fortaleza e no Ceará. Quero agradecer especialmente as pessoas que se empenharam para fazer o dia acotecer, não vou citar nomes pra não deixar ninguém de fora. Também as pessoas que estavam presentes na hora do lançamento da minha HQ. Fiquei muito feliz de ter vendido as edições que levei!  Em contrapartida ao ótimo sabado que tive naquele fim de semana,  já não posso dizer a mesma coisa do domingo no SANA. Me decepcionou um pouco pelo fato de eles não terem mais reservado um Stand e nem mesmo um espaço qualquer pra os autores de quadrinhos independentes exibirem e venderem seus trabalhos. Coisa que a uns 3 ou 4 Sanas atrás tinha e eu mesmo participei. Só espero que revejam isso pra as próximas edições! Mais pra frente postarei um vídeo com o lançamento de Oigo n-01 na gibiteca. 

sábado, 22 de janeiro de 2011

DAVE SIM FALA em Português.


Olá amigos! Hoje decidi postar uma coisa especial para nós trabalhadores da arte de quadrinhos. Um texto que me causou um impacto muito grande quando li. 

O texto é de ninguém menos que Dave Sim. Nunca ouviu falar? É, ele é bem pouco conhecido por aqui. Pois bem, Dave sim é o autor de Cerebus,  até onde eu sei a série independente de maior longevidade dos quadrinhos até o momento. Cerebus teve 300 edições publicadas de forma independente entre 1977 e 2004. Sem interrupções. Mas mais do que isso, Dave Sim é meio que um Papa dos quadrinhos, e o tipo de quadrinho que mais vale apena, aquele de autores independentes. Ele ajudou a criar, junto com Scott McLoud, Kevin Eastman e outros, a carta de direitos dos autores de quadrinhos. Coisa que ajuda muito se alguém algum dia topar com uma grande editora pelo caminho. Mas mais ainda doque isso, quadrinhos pra ele é mais do que pra qualquer outra pessoa que ja vi. É todo um  modo de vida, uma maneira de pensar. Alguns dizem que ele exagera um pouco. Leiam o texto e tirem suas conclusões. Mas é claro, qualquer coisa que você aproveitar do que ensina irá lhe ajudar se é quadrinhos independentes que você quer.

Além de fazer tudo isso ele compilou as cartas que recebia nas edições de Cerebus e lançou o "Guia de publicação independente". 

DJ. 

DAVE SIM FALA. 

        Eu me lembro de começar no ramo de quadrinhos. Você sabe que está ficando velho quando começa uma frase com “Eu me lembro”.

Felizmente não sou velho o suficiente para ver esses dias através dos óculos rosados da nostalgia enganosa.

        Foi principalmente um tempo assustador. Eu estava vivendo sob o teto dos meus pais. Estava fazendo alguns desenhos e roteiros como freelance. Tinha largado a escola. Era virtualmente impossível que eu fosse contratado para algum emprego.

        Eu estava ficando melhor no desenho, mas ainda não era muito bom. Minha produção era intermitente. Eu era fã e colecionador de quadrinhos. Eu tentei todo tipo de arte cartoon: Cartoons políticos, livros infantis, animação, roteiros, letras, cartoons para revistas, uma tira de jornal semanal, caricaturas, super heróis, ilustrações soltas, design de logotipos, storyboards.

       Eu gostava de dizer nos primeiros anos em que fiz Cerebus, que ninguém me deixaria me vendê-lo. Então eu decidi tentar integridade.

       Existe um momento no começo da carreira de qualquer aspirante a desenhista quando ele decide levar sua carreira a sério. Ou decide não levar. É realmente simples assim. Meu momento chegou no outono de 1975.

      Eu cheguei a súbita e horrivel conclusão de que eu estava me iludindo, mentindo pra mim mesmo. Eu não era produtivo. Meu esforço era pela metade. Eu não estava, como técnicos de futebol dizem, dando 110 por cento. Eu estava dando cerca de 10 por cento. Às vezes 20.

    Eu estava conseguindo da minha incipiente carreira com quadrinhos exatamente o que eu estava dando a ela. 10 por cento, às vezes 20. E eu fiquei com raiva. Eu fiquei com raiva não de uma maneira auto destrutiva como acontece com vários aspirantes a criadores de quadrinhos - que é com raiva do mundo, com raiva dos diretores de arte que não viam a minha genialidade, raiva dos imbecis que compravam quadrinhos escritos e desenhados por pessoas com talento inferior ao meu, com raiva das portas que não se abriam só porque eu queria.

     Eu fiquei com raiva de mim mesmo. Fiquei com raiva do bastardo preguiçoso e letárgico que eu via no espelho. Fiquei com raiva do egomaníaco que olhava para seus esforços e resultados fracos e se contentava com o fato de ser melhor do que vários outros que estavam por ai, e esperava que essa atitude o carregasse, algum dia ao panteão dos criadores cujo trabalho ele adorava -- Neal Adams, Berni Wrightson, Barry Smith, Mike Kaluta, Jeff Jones e outros.

      Raiva não era a descrição correta. Fúria chega mais perto. Eu estava furioso comigo mesmo. Eu me chamei de todos os nomes que existiam. Eu olhei pra todas as minhas artes em meu estúdio no porão e decidi que, se não era merda, era certamente algo mais próximo de merda do que de qualquer outra coisa.

      Nesse ponto existiam apenas dois caminhos a seguir. Ou você joga tudo fora e arranja um emprego no McDonalds, ou decide fazer alguma coisa por você mesmo. O “eu” raivoso, o “eu” furioso, que estava enojado por cada mentira e racionalização e desculpa que formavam a base de minha “carreira” perdeu as forças.

 

        Qualquer nível de emoção intensa pode ser mantido apenas por um curto período de tempo, até se exaurir. E então, felizmente, existia uma voz dentro da minha cabeça que era fria, sem paixão, cortando no coração do problema com a precisão da navalha de um neurocirurgião.

 

“Bem”, a voz disse, “agora o que você vai fazer sobre isso?”.

      

       Eu estava com a mente totalmente concentrada nas implicações dessa questão. Mesmo estando enojado pelas mentiras que eu havia dito a mim mesmo, elas ainda estavam na superfície, eu estava enfrentando uma troika de potenciais.

 

       Eu havia definido o problema: Mentiras, racionalizações, e desculpas. Nojo dessas coisas pode servir a dois propósitos -- pode aprisionar, isolar e segregar as mentiras, racionalizações, e desculpas, ou pode se tornar em si mesmo, outra mentira (Eu não sou bom, eu devia desistir), outra racionalização (Por que me importar? Eu nunca serei bom o bastante), ou outra desculpa (Se não sou bom o bastante, não há razão para tentar).

       Nenhuma dessas opções era de qualquer forma a resposta para a questão e eu sabia disso. Havia um “eu” mais lógico que podia ver o conflito com o desapego de Marte examinando um campo de batalha.  Autodesprezo, mentiras, desculpas e racionalizações podiam encobrir a razão. A razão podia ser arrancada fora no nanosegundo que levaria para as sinapses no meu cérebro vocalizarem : “Eu desisto”.

      Todos sabemos o que deveríamos fazer. Não importa o quão sem solução um problema pode parecer ser, sempre há alguma coisa que podemos fazer, mas mesmo assim não fazemos.

 Escreva-os. Faça uma lista.

 Isso foi o que eu fiz. Isso é o que todos podem fazer.

       Não existe uma única boa idéia que não possa ser derrotada por uma mentira, racionalização ou desculpa. Vou dar um exemplo. Vamos dizer que eu sou você. Eu sou jovem, desconhecido e eu quero entrar no mercado de quadrinhos.

       Vamos dizer que a primeira coisa na minha lista é fazer uma tira para o Comic Buyers Guide. Primeira mentira: Eu não sou bom o bastante. Eles recebem centenas de tiras, por que escolheriam as minhas? Eu odeio o Comcs Buyers Guide. Não consigo ter nenhuma idéia.

      Eles vão perder meu trabalho. Vão roubar meu trabalho. Não é o que você faz, é quem você conhece, e eu não conheço ninguém no Comics Buyers Guide. Eu não sei para onde mandar. Eu não sei a quem mandar. Dá muito trabalho. Eu não sei como finalizar, eu não sei colocar letras.

      Se esses são os primeiros pensamentos que passam por sua cabeça ao contemplar os primeiros passos pra construir sua careira, eu tenho uma notícia para você: a parte mentirosa, racionalizante e reclamona que existe em você está no comando. Você não está indo a lugar nenhum, e mais do que isso, você merece não ir a lugar nenhum.

                      Talvez a segunda coisa na sua lista seja fazer uma tira e enviar ao seu jornal local. De novo: Eu não sou bom em encontrar pessoas. Eu não sei para quem ligar. Eu não sei para onde enviar. Eles vão rir de mim. Eu não sei o que eles querem.

          Probabilidade está contra você. Probabilidade está sempre contra você. Probabilidade está contra todo mundo. Vamos dizer que você faça uma tira e mande pra o editor diga: “Sim, está bom, mas nós tivemos um cara fazendo tiras durante três meses e ele desistiu porque ficou entediado”.

         Você provavelmente fará a mesma coisa.”Isso realmente aconteceu comigo... uma das primeiras coisas que aconteceu depois que eu me perguntei, “Sim mas o que você vai fazer sobre isso? Então o que eu fiz? Eu fui pra casa e disse “Eu desisto, não dá certo?”.

Não.

        Eu sentei e fiz um ano inteiro de tiras, 52 delas em cerca de três semanas. Se a única duvida dele era de que eu ia me entediar e desistir, só havia uma maneira de provar a ele que esse não era o caso. A tira foi publicada por dois anos. Eu ganhei cinco dólares por cada uma.

       Faça uma lista. Faça uma longa lista. Escreva tudo que você pode fazer- TUDO. Não deixe nada de fora. Coisas certas, coisas incertas, coisa improváveis. Desenhe páginas de amostra, histórias finalizadas, mini-quadrinhos, pôsteres.  Tire fotocópias e mande pra qualquer lugar, qualquer pessoa que você puder fazer contato.

       Cinco dólares, dez dólares, de graça. E quando tiver terminado a lista, quando tiver mandado tudo pelo correio pra todos os mercados possíveis com um envelope auto-endereçado para retorno, faça outra lista. Não sente e fique olhando a sua caixa de correio. Esqueça o que você mandou e se concentre na próxima coisa. Quando as cartas de rejeição chegarem, embale de novo e mande pra outros lugares.

Não há vergonha na rejeição se você pelo menos tiver tentado. A única vergonha é se esconder em derrotismo, mentiras, racionalizações e desculpas.

      Aprenda enquanto você segue. Não apenas como desenhar melhor, como finalizar melhor, com melhorar suas letras; aprenda como aceitar as rejeições sem se abater, aprenda como lidar com clientes e possíveis clientes de uma forma calma, racional e razoável. Aprenda como empurrar você mesmo para trabalhar mais duro, trabalhar mais eficientemente.

     Na segunda metade do século XX a maioria da população gasta a maior parte de seus esforços tentando encontrar o máximo de retorno com o menor esforço possível. Aprenda a superar os seus desapontamentos no tempo mais curto possível.

     Se não segundos, então minutos. Tenha a mesma atitude com os seus sucessos. Tempo gasto em celebração é o mesmo que tempo gasto em desencorajamento desnecessário. Aproveite o momento do sucesso, a carta de aprovação, o cheque inesperado, o benefício oportuno, por exatamente um momento e não mais.

     Exaltação improdutiva é um desperdício de recursos. Um espírito de otimismo acima do comum deve ser combustível para o fogo criativo e o fogo das ambições da sua carreira. Não sente folheando uma revista em quadrinhos em que você foi publicado, sonhando acordado em ser o convidado de honra em alguma futura convenção de quadrinhos.

         Vá a uma gráfica, tire fotocópias e envie pra todos os mercados nas próximas 48 horas. Use cada pequeno sucesso para gerar sucessos maiores. Seja confiável. O que quer que queiram pronto, quão difícil possa ser o prazo, empenhe-se além das suas percepções sobre as suas próprias limitações. Crie músculos criativos em vez de alimentar a gordura das mentiras, racionalismos e desculpas.

            Bem no fundo, no fundo dos seus instintos criativos, como você acha que está se saindo? Você está dando 110 por cento 365 dias por ano?
            Ou você está dando 75 por cento dos seus melhores esforços num período de uma semana ou duas e depois cinco ou três de nada por um mês depois disso? Você estava doente. Isso é uma mentira e você sabe disso. Você teve um resfriado por dois dias que você esticou pra três semanas. Sua espinha não estava quebrada, você tinha uma gripe. Desenhe com uma mão e assoe o nariz com a outra.

           Do escritório em Sioux City, Iowa, aqui está uma lista das dez maiores mentiras, racionalizações e desculpas.

          Número dez: Bloqueio de artista, bloqueio de escritor. Isso é uma falha de vontade, motivada por um medo da falha, centrada na preguiça. Cale a boca e desenhe alguma coisa.

          Número nove: Estratégia e desenvolvimento de um conceito: Pare de rabiscar no seu caderninho e produza alguma coisa útil.

           Número oito: Recarregando as baterias. Falha de vontade, ampliada pelo medo do fracasso, centrada da preguiça como uma desculpa para ler quadrinhos e ver TV o dia todo.

          Número sete: Contato com outros artistas. Perdendo tempo com outras pessoas preguiçosas e improdutivas e compartilhando das suas mentiras, racionalizações e desculpas, além de algumas cervejas e baganas.

         Número seis: Se organizando: Mudando pilhas de cartas inúteis, quadrinhos e fanzines de um lado da sala pra outro, um de cada vez para poder ler todos eles e evitando desenhar.

        Número cinco: Colaborando. Tendo alguém pra conversar depois que você leu todos os seus quadrinhos, sobre páginas que você não está desenhando, até começar seu programa de TV.

        Número quatro: Consultando/criticando. Mostrando as três páginas que você desenhou seis meses atrás a quadragésima pessoa e perguntando o que elas acham, pra que você não tenha que desenhar a quarta até o natal.

       Número três: Telefone ou internet. Artistas produtivos não tem um telefone, ou se tem eles os desligam. Artistas improdutivos atendem chamadas não importa o que eles estejam fazendo, de qualquer pessoa. Artistas realmente improdutivos recebem ligações e fazem ligações. Os casos sem solução tem chamadas em espera pra que nunca precisem desligar, mudando de ligação em ligação durante o dia de trabalho como Tarzan se movendo pela selva.

       Número dois: Coração partido. Supere. Você vai dormir com alguém de novo. Existem muitos peixes nesse mar, blá blá blá blá. Agora mesmo, você está certo, Ninguém te ama. Sorte sua. Volte ao trabalho. 

E rufem os tambores, por favor...

      A mentira, racionalização e desculpa número um- Mídias eletrônicas. Jogos de computador, Internet, vídeo games, e o galactus da mídia eletrônica... Televisão. Vídeo- games e Internet são abomináveis desperdícios de tempo, não levam a nada, eles são o buraco negro da vida intelectual e criativa. Aquele grande som de sucção que você escuta é tempo e atenção desaparecendo no éter. Seria mais fácil sugar seu cérebro pra fora com aspirador de pó.

         Agora é quando eu vou alienar todos na sala. Televisão é ruim pra atenção, assim como a música. Não ruim com “r” minúsculo, ruim com ‘r” maiúsculo.  Um jogador de golfe profissional não dá uma olhada no capítulo da novela no caminho pra sua próxima jogada. Jogadores de futebol no banco de reserva não estão escutando “Dark side of the moon” do Pink Floyd em seus walkmans.

       Um pianista profissional não escuta o 'Exterminador do Futuro 2' enquanto pratica um concerto. Se você sequer sugerisse a um deles algo assim, eles diriam que você tem um parafuso frouxo. Foco dividido não é foco. Todos vocês discordam de mim, mas tudo bem, eu estou certo e vocês estão errados. Foco dividido não é foco. Foco exclui companhia e a ilusão de companhia. Isolamento, silêncio e treinamento de todas as suas faculdades, de forma que tudo que existe para você é a sensação do lápis ou da caneta, as sutilezas da pressão da ponta daquele lápis ou daquela caneta, por meio da completa exclusão de todos os outros estímulos, é um caminho universalmente ignorado mas auto-evidente para a melhora. Não é fácil no começo. Nada que vale a pena é fácil no começo. Mas a voz interior que deseja gratificação instantânea, estímulo, diversão e distração é uma voz destrutiva que deve ser contida e não contentada. 'Que música legal. O que estará passando na TV? Quero ler uma revista de quadrinhos. Tô com fome. Tô com sede. Oba, o telefone! [Ou e-mail, ou messenger.] Quem será? Buá, número errado! Eu queria conversar com alguém. Eu estou só, preciso falar com alguém.

        Com o telefone fora do gancho, o rádio, TV, e toca-CD desligados, com todos os estímulos exceto a página diante de você eliminados, você terá um foco melhor, e verá resultados melhores. A voz interior que deseja gratificação instantânea fará uma de duas coisas depois que parar de reclamar e chorar. Ela irá cair no sono, deixando que seus aspectos criativos trabalhem sem distração, ou irá se unir ao foco. Ela irá obter sua gratificação da curva perfeitamente executada do pincel. O desenvolvimento inovador de um novo design de página. O surgimento gradual e gratificante de sua melhor página. Uma página que representa um salto quântico de sua melhor página anterior, em um reino novo, não-explorado e excitante, que é a clarificação, o refinamento, e o espontâneo novo passo na escada da superação criativa que é sua e só sua para escalar.

        Há uma diferença entre o artista que constantemente se desafia, que experimenta, que sempre está focado na escalada dolorosa e interminável em sua escada pessoal de sucessos... E o artista que atinge um pico e então se retrai a uma eficiência de operário e então decai para a autoparódia. E você se pergunta, por que isso? Por que esse artista ficou melhor e melhor e melhor, e então parece que deixou de se importar o bastante para seguir subindo?

Duas palavras.

Foco dividido.

        Outra coisa se tornou mais importante para ele. Pode ser a esposa e os filhos. Pode ser a fama. Podem ser posses materiais. Pode ser um contrato para filme ou merchandising. Podem ser drogas. Pode ser álcool, um caso, doença, morte de um amigo ou parente.

        Ou pode ser que eles aprenderam como fazer um produto competente o bastante para satisfazer pessoas o bastante para manter seu padrão de vida. Quando eles estavam subindo, talvez dez por cento de sua atenção estivesse na televisão ou na música, e noventa por cento em seu trabalho. Talvez agora, esteja cinquenta por cento na TV e  cinquenta por cento no trabalho. E naqueles momentos em que eles olham para trás e vêem seu trabalho antigo, eles têm uma súbita pontada de reconhecimento e dizem para si mesmos uma mentira (meu estilo mudou um pouco, é só isso), inventam uma racionalização (eu tenho muito mais obrigações, não posso passar um dia inteiro em uma página), ou acham uma desculpa (os materiais de arte ficaram piores, não consigo mais achar tinta nanquim decente).

             A guerra contra as mentiras, racionalizações e desculpas dura a vida toda. Elas são o inimigo de todo novato, todo diletante, todo veterano neste ou qualquer outro campo. Uma vez que você ceda um pouco, é mais fácil ceder na próxima vez. E na vez seguinte.

            Seja honesto com você mesmo. Sempre se force a escalar o degrau seguinte. Nunca desça um degrau ou pegue um atalho por escolha própria. Quando der uma parada, satisfaça sua necessidade para gratificação. Recompense a si mesmo por empurrar a barreira de suas limitações. E então volte imediatamente a empurrá-las.

           A curto prazo, você pode conseguir muito com um foco dividido, jorros intermitentes de energia e entusiasmo, sorte, talento natural, e conhecer as pessoas certas. Mas a longo prazo, é só por meio de dedicação incansável, trabalho duro, e sempre testar e expandir as barreiras de suas limitações, vem dia e vai dia, que você terá a chance mais remota de se tornar uma Rumiko Takahashi ou um Amano, ou seja lá quem for que você considere a pessoa que escalou mais alto, produziu o melhor, alcançou mais, e brilhou com mais força.

 

Obrigado.