domingo, 8 de dezembro de 2013

CIRANDA DA SOLIDÃO- Mário Cesar

Olá a todos!

Ufa! Passada toda a euforia do FIQ, (que pra mim é como se não tivesse passado, devido a todas as outras coisas que tive que resolver assim que voltei pra casa)... Finalmente, e atrasado comecei a ler as HQs que trouxe comigo, e outras de antes mesmo do FIQ.

Sempre quis produzir uma série de reviews de quadrinhos que li, e acho que começo essa série com este. Como muitos dos meus projetos, este nasceu de uma frustração. Comecei e ter vontade de escrever reviews de HQs que eu gostei, porque algumas vezes sites pra onde eu mandei minhas HQs não chegaram a publicar nada sobre elas. Então isso pra mim é meio como se fosse uma desforra, algo como "se ninguém vai fazer eu faço", ou algo parecido. É claro que no caso da obra de hoje, imagino que outros sites tenham realizado reviews,  mas deixo já registrado que o presente review vem de minha total iniciativa. Não sei nem se deveria chamar isso de "Review". Não estou analisando a obra sobre nenhum aspecto técnico ou artístico. Vou falar sobre as minha impressões pessoais basicamente e de como a coisa me tocou. Com essa introdução, vamos a CIRANDA DA SOLIDÃO- de Mário Cesar.

Uma coletânea de 5 HQs sobre relacionamentos. Acho que as histórias são basicamente sobre relacionamentos, mas mostrados do ponto de vista homossexual. Infelizmente ainda pra se falar sobre homossexuais é necessário logo depois falar sobre preconceito.  A obra do Mário aborda também essa questão, porque essa é mais uma complicação que os homossexuais vivem em suas vidas amorosas (como se a vida amorosa de qualquer pessoa já não fosse complicada o suficiente).  

Me desculpem a sinceridade aqui, mas eu preciso dizer que eu também tenho um certo preconceito. Acho que todos (inclusive homossexuais) temos. Eu não gosto de ver dois homens tendo intimidades, isso me incomoda de certa forma, e acho que isso pode ser classificado como preconceito. Mas como falei antes, a história é sobre relacionamentos, e com problemas de relacionamentos todos podem se identificar.
Aliás a chave pra vermos como o preconceito e o medo não tem sentido é justamente a identificação, e eu acredito muito nisso. No seu texto final, Mário explica como a leitura de algumas obras de quadrinhos provocaram nele uma identificação  mais realista com seus problemas pessoais, de X-men até Sandman.
A identificação fez como que ele tivesse uma visão melhor de si próprio, e com certeza, Ciranda da Solidão tem o mesmo efeito sobre quem lê.  A primeira HQ por exemplo, trata de inadequação social.  Que é em boa parte o tema sobre o qual eu também falo na minha HQ.  Meu personagem principal, o Oigo, que é baseado em mim mesmo, também é um eterno inadequado, estranho e desencaixado da ordem social. Todos os acham estranho e esquisito, e eu o desenho propositalmente gordo e curvado, assim como eu sou, eu como uma versão distorcida de como eu me vejo, ou talvez até baseado na visão distorcida que me fizeram acreditar que era eu. 

Por esse motivo, além de qualquer tipo de questão homossexual, eu pude me identificar muito com a primeira história, com o personagem se sentindo fisicamente estranho, com medo de os outros rirem e fazerem piadas com ele no colégio. Sim, aquela cena aconteceu comigo, porque eu era gordo quando criança.  Então quando o Mário fala sobre o "Clube das pessoas normais", eu posso me relacionar diretamente com isso. Isso me fez ver semelhanças entre o meu trabalho e o do Mário.  Apesar de todas as diferenças que você poderia imaginar no nível superficial, já que o Oigo vive caçando mulheres.
E de repente eu me toco de que realmente todos estamos nesta Ciranda da Solidão, não importa se somos heterossexuais ou homossexuais. Somos todos humanos, e sempre vamos sofrer de relacionamentos desfeitos, ou se formos diferentes de algum padrão arbitrariamente estabelecido:  Seja se formos gordos, negros, baixos, Gays, mutantes, ou qualquer que seja a categoria considerada Inferior. (A metáfora do Street Fighter caiu perfeitamente na situação).


A parte da primeira HQ, que foi a minha preferida, as outras também são bem legais. Gostei bastante de todas. Destaque em especial para as curtas de uma página, e a página em forma de ampulheta da história "A escrita no muro", fazendo referência ao tempo, que se desenrola de forma não-linear na HQ.  E o interessante aqui também é que observando essas HQs, elas poderiam ser contadas sem perder nada do seu sentido se os protagonistas fossem casais heterossexuais. Isso diz de forma muito sutil que as relações homossexuais realmente não são tão diferentes dos heterossexuais, ao  contrário do que poderíamos imaginar. Talvez isso aconteça devido a influência daquelas visões estereotipadas cômicas de homossexuais, das quais o Mário fala em seu texto, e que ele tenta justamente quebrar em seu trabalho.
Esse é um dos motivos pelos quais eu gosto muito de HQs pessoais, principalmente do tipo que você não vê sempre. Sempre acho interessante ler trabalhos em HQ com roteiros de mulheres, por exemplo. Até adaptei um texto de uma amiga pra quadrinhos, coisa que normalmente não faço. 

 Porque gostei do texto e é uma coisa que você não vê sempre. Assim como o trabalho do Mário, que além de ser interessante, bem escrito e divertido, é também muito necessário.


Uma das coisas mais legais que esse tipo de quadrinhos nos dá é poder ver o mundo pelos olhos de outra pessoa, nem que seja por alguns instantes. Isso é o que eu busco passar com o meu trabalho, em boa parte. Eu quero que as pessoas vejam as coisas pelo ponto de vista do meu personagem, e por alguns momentos se sintam na pele dele, se sintam um pouco como eu me senti em determinado momento. Em a "Ciranda da solidão", você também vê as coisas um pouco como o Mário, como tenho certeza,  também era  a intenção dele. E vendo as coisas do ponto de vista dele, descobri  que ele vai além dos estereótipos. É uma ótima leitura, seja qual for a sua opção sexual.   

 DJ.

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

 Breaking Bad- Análise  final- Por Diego J. (Spoilers do episódio final)

A algum tempo atrás eu vi o filme "Wall Street". Esse filme conta a história de um negociante novato do mercado de Wall Street (Charlie Sheen), que influenciado por um empresário inescrupuloso (Michael Douglas), começa a entrar em esquemas de manipulação de dados na bolsa, para ganhar muito dinheiro. O personagem de Michael Douglas, é o cúmulo da falta de caráter: ladrão, trapaceiro. Todos os fins justificam os meios pra ganhar dinheiro para ele. Mas... Ele é sofisticado, rico, e... interpretado por Michel Douglas no auge. Nos comentários do DVD, de forma interessante, tanto o diretor  Oliver Stone quanto Michael Douglas disseram que a reação das pessoas ao personagem não foi a esperada. As pessoas deveriam odiar o cara, e não foi isso que aconteceu, as pessoas queriam ser ele.


 Vivemos em tempos de GTA. Vivemos num tempo em que um vídeo game onde você é um criminoso, vende aos milhões. Todos nós, ou boa parte de nós, temos a fantasia de não precisar seguir as regras, não precisar seguir as leis, fazermos o que queremos, termos todo o dinheiro que quisermos. Mas todos nós também sabemos que na vida real, não é bem assim. Na vida real da maioria de nós, temos que seguir as leis, regras, e se quisermos alguma coisa do mundo material, se quisermos liberdade, primeiro temos que encarar anos e anos de prisão em algum emprego, faculdade, etc. Walter White era um criminoso e assassino, mesmo assim li e ouvi muitas pessoas o defenderem ao longo da série.  As pessoas gostavam dele e queriam que ele vencesse. Acredito que devido a identificação com aquela questão que eu falei. As pessoas conseguem se relacionar com o cara que chutou o balde e decidiu tomar tudo o que queria a força, porque na vida real elas queriam fazer isso mas não podem. SÓ QUE o detalhe é que isso é um modo de ver a coisa. Acredito que esse modo de ver a coisa não pode influenciar os roteiristas, os criadores, quem quer que esteja escrevendo a parada, e eu acho que isso aconteceu com Breaking Bad. Eu adoro a série, adorei o final. Mas depois conversando com um amigo, ele me disse: "Eles fizeram o que as pessoas queriam". E passada a empolgação, eu pensei... E não é que foi mesmo? Walter acabou mais uma vez sendo o fodão que chega e detona com tudo. E consegue seu objetivo, de entregar parte do dinheiro a seus filhos. Tudo bem, ele perdeu sua família, no sentido literal, e emocional, e morreu, mas...  Não importa, ele já estava condenado a morte desde o começo, o que ele queria era deixar dinheiro para os filhos, e conseguiu.  Quem sabe o que Breaking Bad queria mostrar, a mensagem final da série, seja essa, a de que quando você persegue o que quer por cima de tudo, podem acontecer consequências muito graves que você não queria, ou esperava. A mesma coisa aconteceu com Hank. O que ele queria mais do que tudo era prender Walt. Ele conseguiu, mas perdeu a vida. É como a musiquinha da princesa e o sapo: Conseguiram o que queriam, mas perderam o que tinham.  Eu não acho que seja interessante você ver as coisas com relação a justiça, com dois pesos e duas medidas. O que eu quero dizer com isso? Porque quando é numa série de ficção as pessoas torcem pelo criminoso, mas quando é na vida real, tem gente que quer "pena morte pros vagabundos"? "Cadeia pra os políticos corruptos? Porque todo mundo que ver os mensaleiros na cadeia, mas torce pelo Walter White e joga GTA?  Porque ninguém vai te condenar por apoiar, ou se identificar com um criminoso fictício não é?  Tenta chegar numa roda e dizer que apóia um político corrupto.  Na vida real somos vítimas de criminosos, assaltantes, ladrões, políticos, mas será que mais do que justiça contra os vilões do mundo real, não desejamos secretamente ser um deles? Só que no âmbito do real, nunca poderíamos admitir isso. Uma matéria recente divulgou finais alternativos de Breaking Bad, e em um deles, Walter via toda a sua família ser assassinada. 

Quem lembra dos dois últimos episódios, sabe que esse final era até bem possível, já que Lydia estava preocupada com o que Skyler iria falar pra polícia. Eu acho que o castigo foi pouco pra ele. Eu teria castigado ele mais .Acredito que os escritores se deixaram influenciar, talvez não completamente para o bem da série. Quando você escreve uma história, e cria um mundo, você é o responsável pela "Justiça divina" No mundo. Quem você pune e como você pune, e quem você absolve, vai dizer pra quem está vendo qual o seu senso de justiça, em que você acredita em última análise, e quem sabe, que tipo de justiça você gostaria que existisse na vida real. No mundo de ficção o autor decide se o crime compensa ou não. Ou ele pode deixar a questão em aberto ao espectador, para que decida. Só acho que no caso se Walter White, a balança acabou tendendo mais pra o lado de que valeu a pena tudo que ele fez. O que me fez pensar que os autores queriam passar isso como mensagem. Por isso, apesar de ter adorado a série, continuar sendo fã e admirador, eu teria feito diferente a mensagem final. Afinal, se Walter White existisse no mundo real, você não ia querer ver ele preso? Talvez até morto? Ele não pode escapar com a desculpa de ser um personagem de ficção.
DJ.   


quarta-feira, 21 de agosto de 2013

UMA ANÁLISE DO EPISÓDIO 5X10 DE BREAKING BAD, POR Diego J.




Aqui é o seu amigão da vizinhana, eu mesmo, Diego J, com mais um post absolutely Fabolous! Sim meus amigos, eu vi o primeiro episódio de Breaking Bad. E todo mundo sabe que essa série é como uma droga... rerer Ou você nunca provou ou você fica viciado. Pois bem, depois de acompanhar todas as temporadas, decidi escrever uma análise do último episódio, 5x10: "Buried" Vou descrever minhas impressões a respeito de cada uma das cenas, analisando principalmente do ponto de vista do roteiro. (do MEU ponto de vista). Será um estudo principalmente interessante para quem já viu todos os episódios e estuda roteiro, e que assim como eu gosta de analisar os roteiros das coisas que lê, assiste, etc. Esperando é claro algum dia conseguir escrever algo de bom. No meu caso estaria feliz de conseguir escrever metade do que o pessoal desta série escreve... É bom demais, sério mesmo.


TOTAL SPOILER ALERT- Só continue se já viu até o episódio 5x10!




Anteriormente: 

Sabemos que quando a série deu aquela pausa, a última cena do último episódio foi justamente Hank no banheiro tendo a grande revelação, de que Walt poderia ser o temido e lendário Heisenberg. Achei perfeito o fato de ele ter tido essa revelação no banheiro. Achei bem realista, já que realmente ideias aparecem quando você está no banheiro sem pensar em nada. Pelo menos comigo, com vocês não? Deve ter alguma coisa a ver com esvaziar a mente, ócio criativo, etc.

Logo no episódio seguinte (contrariando oque eu esperava) Hank confronta Walt e o faz "confessar" tudo. Ele deixa-o ir, porque ainda não tem as provas necessárias para prendê-lo. Como acontece muitas vezes de forma genial na série, somos surpreendidos pelas "camadas" dos persoagens sendo removidas em momentos importantes. No último momento em que Hank confronta Walt, depois de esmurrá-lo na cara, acusá-lo e chamá-lo de mostro sonovabitch, Hank diz de forma muito sincera que não sabe quem ele é, quase como se estivesse falando com um irmão. Existe um conflito interno nele muito interessante, ele quase exita.  O que nos lembra que por trás de tudo ele realmente gostava de Walt, e está sendo difícil pra ele tudo isso.




Na primeira cena do episódio somos levados a Jesse logo depois que ele começa a jogar o dinheiro fora. Nesse ponto ele está completamente destruído por dentro. As mortes, todas as coisas ruins que aconteceram pesando sobre ele. Ele passou boa parte da temporada tentando fugir e esquecer de coisas aconteceram. Ele descobre da pior maneira que dinheiro não traz felicidade (Isso também acontecerá com Walt em algum ponto?). Jesse é essencialmente uma pessoa boa, porque se sente culpado pelas mortes de inocentes em que esteve envolvido, até o ponto de virada alguns episódios atrás, em que ele recusa até mesmo o dinheiro que era a sua parte na negociação, só pra poder sair e ter um pouco de paz. Ele está sem rumo, e ele ainda é uma "ponta solta" no esquema de Walt, ele ainda pode leva-lo a cadeia e por tudo a perder.

Depois que Walt perde a corrida pra ver quem falará com Skyler primeiro, vem a cena em que Hank
conversa com Skyler sobre tudo que descobriu. Essa cena é super interessante. É como um jogo de poker! Quase que completamente imprevisível o que acontecerá. Basicamente no começo achei realmente que Hank estava tentando ajudar Skyler honestamente, talvez naquele ponto ele não soubesse ainda até onde ela estivesse metida na sujeira, e quem sabe já ai, seu objetivo fosse descobrir isso. Durante toda a série Hank foi descrito como um bom detetive, fugindo do esterótipo do "policial idiota" que acontece tantas vezes em filmes que tem criminosos como protagonistas. Ele sabe o que está fazendo, o que faz com que tenhamos empatia por ele como personagem. Skyler nesse momento tem como principal preocupação salvar sua própria pele. Ela sabe que se falar, implicará não apenas Walt, mas a si mesma. Ela está se tornando rapidamente e contra tudo que se esperava dela, cada vez mais como Walt. Ela surta e foge, e talvez com isso Hank tenha ficado com duvidas a respeito dela.

Uma das melhores coisas que essa série tem é a brincadeira com as coisas que as pessoas dizem que querem em contradição com as suas verdadeiras e pessoais motivações. Aconteceu com praticamente todos os personagens, e nessa cena fica claro, que por mais que Hank diga que faz isso por Marie, pelas crianças, etc... Sua verdadeira motivação é pegar Walt, porque ele foi desafiado por ele. Aquela coisa de caras medindo o tamanho do pau, você sabe como é.

Cena muito engraçada com os ajudantes de Saul indo pegar o dinheiro... Mas tem uma coisa que precisa ser explicada... É obvio que passaria pela cabeça desses vagabundos de terceira roubar a montanha de dinheiro, não? A fama de Heisenberg, que assassinou o ex chefão do tráfico e mais uma dezena de testemunhas, faz eles mudarem de ideia.




Outra cena engraçada, porque todas as cenas com Saul são engraçadas. Walt se chateia com Saul porque este sugeriu matar Hank, ou mandá-lo numa viagem para  "Belize". Fiquei um pouco impressionado positivamente, achei que ele tentaria realmente matar Hank. Mas ele ainda se prende a auto- enganação de "família" que tem estado com ele desde o começo. Desde o começo, ele dizia que era tudo pela família, lembram? 



Walt vai pro meio do deserto enterrar o dinheiro. Massa.
A seguir, a melhor cena do episódio. Essa cena e todo esse episódio aliás, é cheio de conexões que vão se fechando na sua cabeça de coisas que aconteceram antes. É o momento de "recompensar" o expectador pelas horas que passou vendo onde essa coisa toda ia dar. Sabe aquilo que lost não fez? Pois é, isso.



Essa cena é muto boa por vários motivos. O primeiro coisa que me veio a cabeça é que Skyler está
passando pela mesma situação que Walt passou com ela antes. Mentir e ser desmascarado. Só que ela passou de "desmascaradora" para desmascarada", rere. Agora possivelmente ela sabe como ele se sente, ela foi contaminada pelas mentiras dele, até que passou a contar mentiras pra apoiar as outras mentiras. Ela passou pelos dois lados da situação. Perceberam o que aconteceu logo depois da conversa? Marie tenta levar embora a bebê, dizendo que queria protegê-la, exatamente como a própria Skyler queria fazer antes. Ela queria levar os filhos para longe de Walt para protegê-los. Isso é F#*ING genial. Segunda melhor coisa dessa cena: Isso tudo pode ter sido uma estratégia de Hank pra comprovar de que lado Skyler estava. Se ele tinha dúvidas, agora elas foram sanadas. Ele sabe que ela está macomunada e sem volta. Quando Marie fala "you have to get him" no final isso é como a sentença de separação definitiva da família.

Walt cai no chão do banheiro, provavelmente devido ao cãncer está voltando, como é mencionado. Essa cena me fez pensar que poucas coisas unem pessoas tanto quanto identificação. Skyler agora se identifica com Walt e o entende, já que ela passou por quase a mesma coisa. Nessa cena basicamente somos levados a confirmação de que ela está do lado dele. (até porque não há muita opção pra ela). Ou os dois caem juntos ou se safam juntos. (pelo menos até aqui) Não ficou claro até que ponto a opção de fazer um acordo e diminuir a pena seria interessante pra ela. Quem sabe ela mesma não tivesse se tocado da opção. E sutilmente novamente somos levados a: Dinheiro não traz felicidade. Skyler diz que "não lembra a ultima vez que foi feliz", ao que eu respondi mentalmente: Primeiro episódio da primeira temporada.



Cena de Lydia tomando o ponto de fabricação de drogas dos traficantes. Não sei bem que consequências essa cena terá. (os assassinatos começam a ser investigados e isso complica a situação de Walt? Lembre que esses são os mesmos caras que ajudaram a matar as testemunhas na cadeia. Tentarão obrigá-lo a voltar a produzir?) Achei Lydia um pouco fora do personagem, já que ela era descrita como uma personagem medrosa, de repente cria bolas pra mandar matar toda uma gangue de traficantes. Mas nada que atrapalhe muito.

Próximo do fim do episódio, descobrimos que não vai ser tão fácil assim para Hank fazer Walt pagar por seus crimes, pelo menos não dentro da lei. Seu orgulho o impede de ir ao DP e dizer que o criminoso estava bem embaixo de seu nariz o tempo todo, mas ao mesmo tempo se não falar, poderá ser preso, porque podem saber que ele já sabia, e não disse a eles, já que já havia confrontado Walt. Se estão lembrados, no episódio anterior, Hank havia instalado um rastreador no carro de Walt, pra justamente conseguir a prova de que precisava. Quanto a Skyler, Hank aparentemente mente pra Marie (?) que ainda pensa em poder ajudá-la, mas eu acho que a essa altura ele sabe que ela está envolvida.

O interessante disso é agora Hank está na beira da mesma situação, de ter que mentir pra todos a sua volta... E já começa do fim deste episódio. Ele tem que mentir pra os outros policiais sobre a coisa toda, pra esconder que ele sabe sobre Walt, até o momento de conseguir provas! E essa é a importância daquela cena aparentemente sem importância onde ele mente pra os policiais, pra conseguir falar com Jesse... Acho que o que quer dizer é que todo mundo mente, quando acha que precisa, como dizia o House. E se ele não conseguir as provas? Ele está mentindo pra policiais, isso pode ser usado contra ele no futuro? Pode ser uma brecha pra salvar Walt?



Jesse vai dar a Hank a prova que ele precisa?
Walt é claro, mentiu pra Jesse sobre outras coisas... Ele daria a prova se soubesse do que Walt realmente fez?

Isso só saberemos nos próximos episódios...
DJ 



domingo, 2 de junho de 2013

Meu breve review de Star Trek -Into the darkness




Olá cidadãos da federação. Aqui sou eu Diego J. com um breve review de "Star Trek- Into the darkness". (Breve porque não quero me estender demais, é só mesmo pra dar uma geral)

TOTAL SPOILER ALERT. Não leia se não quiser spoilers.

     Bom, primeiro eu sou fã de Star Trek, mas não sou fanático doente pela franquia e nem vi todos os episódios de todas as séries, mas vi todos os filmes.

     Os personagens principais estão de volta em suas características principais que tanto amamos. Kirk continua sendo o impetuoso, "pule primeiro e pense depois", Charlie Sheen do espaço com as mulheres, sem dispensar nem as alienígenas gêmeas com rabos. O que me fez pensar como uma mulher usaria sexualmente um rabo. Spock continua sendo o chato racional e McCoy continua sendo o chato emotivo.

    Logo no começa dessa segunda jornada dirigida por aquele nosso amigo que não teve nada a ver com o final de LOST,  somos levados para uma desconstrução total das principais conquistas do fim do primeiro filme, colocando todos os personagens basicamente nas posições onde estavam no começo do filme anterior. Kirk perdeu o comando da Enterprise e sua amizade com Spock está abalada, o que é uma coisa meio estranha, acho que teria sido mais interessante ver como eles se desenvolveriam a partir do ponto em que os deixamos no primeiro filme.

    Adorei os Klingons visualmente. Gostei do Khan, e de como ele foi mostrado. Só não gostei de um cara de intelecto superior ter tido a brilhante ideia de esconder seus entes queridos dentro de mísseis. Isso não parece muito inteligente, mas isso foi uma das poucas coisas que me incomodaram no filme.

    Adorei ver novamente o eterno Robocop (Peter Weller) como o comandante da frota renegado. Aliás é um tema que já foi bastante usado em diversos episódios e filmes, a "corrupção na federação". Eles deviam tomar cuidado ao reutilizar isso constantemente, ou a federação vai ficar mal vista, vai ficar parecendo o congresso brasileiro. Mas na maioria das vezes que eles fazem isso, é o caso de um almirante ou comandante que é a "maçã podre", e bastando retirá-lo, a federação voltaria a seu estado de justiça e idoneidade.

   
 Gostei de como a trama dá duas grandes viradas, e mais algumas pequenas, no meio do caminho. Khan é aquele tipo de vilão que você por vezes se identifica e chega perto de compreender seus motivos, diferente do louco obcecado por vingança da versão anterior. Adorei as referências a "Ira de Khan", embora a presença da doutora Marcus tenha carecido de uma explicação mais detalhada na minha opinião. Na versão original da personagem ela tem um papel central e fundamental na estória. Confesso que parte de mim gostaria de ter ouvido a versão de Chris Pine para o famoso grito "Khaaaaaan!",mas gostei de como eles inverteram os papéis nessa versão. Realmente foi bem escrita na minha opinião a cena da morte de Kirk. Eu não consegui antecipar como trariam ele de volta, e esse tipo de coisa é que vale o preço de um ingresso de cinema.

      J.J. é claro, fugiu um pouco de alguns temas de Star Trek na sua versão. Ele fez de Star Trek uma coisa bem menos intelectual e filosófica, como era a série clássica e algumas das outras séries. Ele optou por um clima mais de aventura e "montanha russa", pra deixar as pessoas ligadas. Imagino que seja uma "atualização" para um público mais abrangente. Mas eu sou da opinião que o nível de inteligência do filme ainda poderia subir um pouco que não fritaria ainda os miolos dos garotos de hoje. Eu sempre adorei aqueles filmes e episódios onde os personagens estão diante de alguma anomalia espacial desconhecida, e tem que lidar com isso, como o primeiro filme de Star Trek com a tripulação da série clássica. Muito difícil J.J. Fazer algo assim. Mas esses filmes me fazem ter esperanças no Star Wars dele.
DJ.

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Meu problema com Tarantino


Ok. Vou dizer qual é meu problema com o Tarantino. Já vou avisando que não vi todos os filmes dele, mas ja vi alguns e andei acompanhando essa polêmica em volta do Django Livre, seu mais recente lançamento. Parte da polêmica está no fato de ele ter tocado no assunto delicado do período de escravidão nos Estados Unidos.

   E isso é parte de sobre o que eu quero falar. O que eu não gosto no Tarantino é que eu não me identifico com a abordagem que ele faz a violência nos filmes. Eu acho que uma abordagem bem mais realista e portanto convicente, seria algo como o Clint Eastwood fez em "Os Imperdoáveis", ou por exemplo, na série "Breaking Bad", que aliás é muito boa. O que esses filmes tem que o Taratino não tem? Esses filmes mostram as consequencias da violência na vida das pessoas e na sociedade de forma mais realista. O próprio Clint Eastwood disse que uma de suas motivações pra fazer "Os Imperdoáveis"foi a discrepância no fato de que um homem mata outro e depois vai pro saloom ou pra casa como se nada tivesse acontecido. Não é assim. Pelo menos imagino pra a maioria das pessoas normais, que não são psicopatas. A maioria das pessoas se chocaria e ficaria com algumas questões a serem resolvidas na sua mente ao presenciar uma cena de extrema violência. Eu e você somos assim. Imagino quantas pessoas não tem capacidade de se identificar com a dor e sofrimento de alguém sendo mostrada de forma explícita.

Eu entendo que o Trantino trabalhe naquele universo onde as reações não são reais. Em filmes de aventura, ou policiais, Filmes como Mad Max, A série Bourne, Duro de matar, etc... Mostram violência, mas não mostram as consequências psicológicas que isso causa nos imbatíveis heróis, e nem precisam, porque não é sobre isso que o filme fala, e isso iria fazer a história "fugir do tema". Eu acho isso válido. Mas e qual a diferença desses filmes paras os do Tarantino? Nos filmes que citei acima acho que a violência é na medida certa pra estabeler o que ela precisa na história. Pra que serve geralmente mostrar violência num filme:

-Mostrar que a situação é grave
-Mostrar que o vilão (ou outro personagem) é mau
-Mostar o sofrimento de alguém com quem você tem
que se importar na história
-Mostrar que quem mereceu o castigo foi
devidamente castigado.
-Ambientar um período ou época como Violenta.
-Ou no caso do tarantino, só porque é "legal".

O Tarantino usa isso muito acima do necessário, ele vai muito além de você já ter entendido todas essas situações. Horas depois que você entendeu, ele continua mostrando de novo e de novo. Em todo filme de ação, você vê os quatro primeiros motivos. Nos realmente bons, como Duro de Matar, por exemplo, eles são usados na medida certa. Porque não com o Tarantino?

Em "Batman o Cavaleiro das trevas", alguém deixou de entender que o coringa era perigoso e cruel?
Precisou mostrar sangue e tripas na tela pra isso?

E antes que alguém diga: "Na época da escravidão, os caras faziam coisas horríveis, ele só está sendo realista com o que aconteceu" (Jamie Fox saiu com essa pra justificar a violência, como se esse filme tivesse alguma pretensão de ser relevante como testemunho sério da história)

Em filmes como Ghandi, A lista de Shindler, ou o Resgate do soldado Ryan, que são testemunhos sérios da história, onde coisas terríveis aconteceram, não tinha tanta violência explícita  como nos filmes do tarantino. Não precisava.

Ele na verdade não se importa com o período histórico, ele só quer uma desculpa nova pra colocar seus personagens. Ele age mais ou menos como aquelas novelas da record. Já viram? Uma vez eu vi uma parte daquela novela alegada como "a única novela que se passa no período da ditadura militar no Brasil". A novela apenas usava essa ápoca como pano de fundo, seus personagens, sua trama, sobre oque ela falava, era a mesma besteira romântica de sempre.

Daí a bronca do Spike Lee, porque a "bola da vez" de ambientação do tarantino, caiu justamente no período de escravidão negra.  Lembrando que Spike Lee mostrou a violência dos bairros negros sem  derramar nem 1 copo de sangue cenográfico muito bem.

Ele mostra violência de forma muito explícita, ao mesmo tempo que reduz a reação dos personagens a quase completa inexistência. Esticando os dois lados da baladeira além de qualquer filme de ação- (Onde a violência é só o suficiente pra que oque a história pede) E também no lado da reação, indo até onde nenhum filme de terror geralmente vai (Onde você vê personagens horrorizados ao presenciar violência, geralmente vítimas). Nos filmes dele,  ninguém se importa com a violência, Com a crueldade, nada disso.

O ator Leonardo de Caprio afirmou que pediu a Tarantino pra mudar algumas coisas que achou pesadas demais no roteiro, e ele vinha de uma série de trabalhos com Scorcese!

Ele faz isso repetidas e repetidas vezes. É com isso que ele gosta de punhetar. Com pessoas frias, que não se importam, que matam por prazer e não tem identificação nenhuma.

É essa a grande inovação que ele trouxe pro cinema?

O que ele quer dizer com isso? Que isso é normal? É divertido?

Parece que é isso que ele sempre quer passar.

"Não estou chocado com isso, muito pelo contrário".

Eu cheguei a ver alguns desse filmes clássicos de velho Oeste que ele diz serem as bases dele, e não lembro de ter violência exagerada nesses filmes, e você podia entender bem quem era o fodão, quem era do mal, quem era cruel, etc.
 
Aliás ele faz tanta questão de reafirmar isso que não deixo de me perguntar se no fundo não é exatamente o contrário. Ninguém precisa dizer pra si mesmo uma coisa mil vezes se já está bem certo disso.

DJ