segunda-feira, 9 de julho de 2012

Caverna do Dragão.


Caverna do Dração- Dungeons and Dragons. Testes para uma possível adaptação de "Requiem"






sábado, 7 de abril de 2012

Arte e Punheta





E ai amigos! Esse post é fruto de uma conversa que tive com um amigo meu. Reflexões doidas sobre a arte, novamente. É, gosto de falar desse assunto. Pelo mais do que de falar sobre celulares e carros. Esse amigo era um quadrinista também, e assim como eu tinha um projeto próprio que queria levar pra frente, mas acabou desistindo, arrumando um emprego e está financeiramente estável na vida no momento. Essa coisa toda de fazer quadrinhos autorais é bastante difícil, todo mundo sabe. As pessoas não lêem, existe muita coisa mais interativa tirando a atenção das pessoas. E quando digo "muita coisa" acredito que a maioria disso seja pornografia online. Um outro amigo meu me disse que 90% dos acessos a internet são pra pornografia, mas eu não verifiquei essa informação. Bom, é difícil fazer qualquer coisa quando se pode ver pornografia a hora que quiser, e quadrinhos estão incluídos entre as outras coisas.

Basta ver os números de vendas despencantes das grandes editoras pra saber como anda a situação. Isso por si só já faz com que quem faça quadrinhos se torne um herói da resistência, alguém que faz isso como uma causa, algo que acredita fortemente nessa idéia, mas isso todo mundo sabe.

Levando pra parte de dia a dia da coisa, é cada vez mais difícil pros autores atraírem a atenção das pessoas, porque no fim das contas tudo se resume a isso não é? Atrair a atenção dos outros para o que eu estou fazendo, não é? Só que a atenção das pessoas está difícil de se conseguir, e isso é uma das coisas que desmotiva o autor, o que leva a situação do meu amigo.

Já vi ele e outros autores ficarem frustrados por não receberem atenção que achavam que mereciam, até chegando ao ponto de desistirem. Bom, se você quer uma coisa que não está conseguindo, isso é um problema com duas soluções, ou você consegue, ou para de querer. E querer algo que está fora do seu controle é perigoso.

Arte é punheta. É masturbação. Sempre foi e sempre será, e é assim que deve ser. Mas no bom sentido. No sentido de que é uma coisa que eu estou fazendo apenas pra agradar a mim mesmo e mais ninguém. Não estou dizendo isso por narcisismo maníaco ou por traumas sexuais mal resolvidos. (Bem, talvez um pouco...)
Mas o motivo principal de se encarar as coisas assim é que eu não sei o gosto das outras pessoas. Não sei o que elas pensam, não sei o que elas gostam, nunca saberei. Eu só posso saber o que eu penso, o que eu gosto. Portanto, só posso fazer tudo pra agradar a mim mesmo e apenas torcer pra que outra pessoa goste. Alguém ai já esteve num quarto com uma namorada, ou namorado e tentou masturbar a pessoa? Já perceberam que você quase nunca acerta o jeito que ela gosta de ser tocada? Porque? Só ela sabe. Só a minha mão sabe exatamente como eu gosto.

Todo grande artista é um grande punheteiro. Por exemplo, George Lucas. 90% de sua carreira ele fez só o que quis e como quis, sem se importar pra opinião de mais ninguém. E olha que muita gente andou reclamando das coisas que ele fez ultimamente. Mas nem por isso ele voltou atrás e nunca deu atenção a comentários de outros. Porque ele entende que isso não teria sentido, não é assim que as coisas funcionam. Ele entende. Woody Allen é outro que é um punheteiro tanto no sentido literal quanto no sentido artístico. A maioria dos seus filmes gira em torno dos mesmos temas. Começo e fim de relacionamento, sofrimento, volta por cima, etc. Se você assiste muitos filmes dele chega a ficar até repetitivo. Mas é isso que o cara gosta, fazer o quê? Ele é outro que também sempre fez o que quis e se deu bem. É claro que a história é feita pelos vencedores, e esses dois são dois dos casos mais famosos. Mas existem outros.


Nos quadrinhos existem o Robert Crumb, Harvey Peekar, Dave Sim. Esse último é o maior expoente da idéia de fazer o que se quer sem ligar pros outros, e é um dos menos conhecidos, e com certeza recebe bem menos reconhecimento do que merece. Você tem que tentar encarar a aprovação dos outros como se você fosse um garçom ou atendente de posto de gasolina ou sei lá o que. A pessoa vai pagar e diz pra você: "Pode ficar com o troco". É isso. É um bônus, um agrado inesperado, mas não é o principal.

E que é o principal? Como em toda masturbação, o principal é o seu prazer. Satisfazer a sua necessidade. É você estar gostando do que está fazendo, você estar passando a sua mensagem, do jeito que você quer passar.

Fernando pessoa disse: "Escrevo porque preciso, publico porque é a regra do jogo".

Pessoas que se frustram por não serem entendidas muitas vezes estão fazendo coisas tão específicas e pessoais que é difícil outra pessoa que não seja ela mesma entender. Eu sei porque já fiz isso e ainda faço. Se é assim que você quer fazer, eu digo: Faça. Agora quando não entenderem, saiba como lidar.

Quem sabe um dia eu poderei acabar como esse meu amigo, mas por enquanto ainda não desisti dos meus quadrinhos pessoais, porque isso é uma das únicas coisas em que realmente vejo sentido fazer. E o meu prazer com isso ainda não acabou. Eu ainda consigo ter o meu prazer solitário, independente das outras pessoas, ao fazer meu trabalho. Críticas e elogios são duas faces da mesma moeda. E esta moeda está dentro de um grande saco chamado: "Opinião dos outros". Qualquer pessoa que não seja você, é os outros, e ninguém lhe entende completamente nesse mundo.


Tanto criticas como elogios de pessoas comuns estão carregados de opiniões, preconceitos e simpatias pessoais. São sempre emocionais, nunca racionais. A pessoa pode ter adorado seu roteiro, seu desenho, sua arte final, mas se a sua história tiver cachorrinhos morrendo e ela for contra a morte de cachorrinhos, ela vai passar o resto da vida dizendo que não gostou de nada. As pessoas não tem tempo nem paciência de olhar direito e separar o que gostou ou não gostou nem em um vídeo clipe hoje em dia, quanto mais uma história em quadrinhos. E novamente, nunca será possível agradar todo mundo, e tentar agradar qualquer outra pessoa ou grupo é inútil.

Alan Moore disse: "O público não sabe o que quer. Se soubessem seriam o artista. Não é função do artista dar ao público o que ele quer, mas sim o que ele necessita" Steve Jobs nunca fez pesquisa de mercado pra saber o que as pessoas queriam ao lançar um produto, mas tudo que fez vendeu absurdamente.

Não me entenda mal, é bom receber um elogio, alguém dizer que gosta do seu trabalho, alguém pelo menos se dar ao trabalho de ler, alguém pelo menos olhar a sua capa por alto. Isso pode ser PARTE do seu estímulo pra continuar. Só que essas coisas ficam escassas as vezes. E se você depender só disso, você desiste. Se elogios fossem gasolina, você teria que ser o Mad Max. Se for água, você teria que ser Tuareg, o guerreiro do deserto ( o cara que pra não morrer de sede mata o camelo e bebe a água de dentro dele),e por ai vai.

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Algumas pessoas ficam esperando tapinha nas costas de outros artistas. Estranhamente eu descobri que outros artistas de quadrinhos podem não ser as pessoas ideais pra lhe dar um feedback, opinião, etc. Recebi opiniões de pessoas que estavam fora do meio mais do que dos que artistas. O outro artista pode ver você como concorrente, pode ter opiniões e tendências mais arraigadas que pessoas comuns, (O mesmo vale pros críticos) e se for aquele cara que você vê só as vezes e não é tão seu amigo ele pode dizer que gostou mesmo tendo detestado só pra não quebrar a "rede de contatos". Eu nunca menti dizendo ter gostado de alguma coisa sem gostar, mas já omiti várias vezes que não gostei. Claro que fizeram isso comigo também. E se tiver que dizer que não gosto, vou procurar dizer da melhor maneira possível. Os outros artistas podem não ser o público pro seu trabalho. Mas seu público está por ai em algum lugar, você tem que encontrá-lo.

As pessoas também se frustram se uma editora se recusa a publicar seu trabalho. A editora segue o pensamento de um editor, que também tem suas opiniões próprias que só Deus sabe quais são. As grandes editoras seguem o que elas acham que vai vender, nelas alguém chega e diz: "Isso aqui vende, isso aqui não vende". Que é o comportamento de tentar agradar aos outros de que falei antes. É bater de frente na parede. Essas editoras estão sempre se baseando no que vendeu e o que não vendeu no passado pra tentar prever o futuro, prever o que as pessoas vão pensar e querer em seguida. Baseado nisso elas criam suas regrinhas de "certo e errado". O que é certo pra eles, claro é o que já vendeu, o errado é o que não vendeu. E todo mundo pensa que isso é certo e errado porque uma tábua sagrada caiu do céu dizendo que tem que ser assim. O desenho tem que ser assim, a narrativa tem que ser assim, você tem que fazer anatomia assim, perspectiva assim. Não TENHO que fazer nada. Não é nem aula de biologia nem de matemática. Isso é arte. Mas não pras editoras, pra elas é mercado. E a partir do momento que existe dinheiro envolvido existe a necessidade de ter o certo e o errado. Como eles iam saber o que vale mais? Qual o objetivo de existirem prêmios colocando uma obra de arte acima de outra?

Woody Allen disse (sobre seu filme "Annie hall" ter ganho o oscar): A implicação é que Annie Hall é o melhor filme. Não acho que seja possível fazer esse julgamento. A não ser que seja numa corrida. Quando você vê o cara correndo, e vê que ele ganhou. Ganhei uma corrida quando era criança, isso foi bom, porque eu sabia que merecia".

Por isso tudo amigos, eu ficaria muito feliz se nenhum
artista independente desistisse de seu trabalho autoral porque tem que trabalhar e ganhar dinheiro, sei que esse será o destino de muitos, mas fazer o que? Precisamos de dinheiro e isso também é verdade. Mas pra quando as pessoas, editoras, críticos ou outros artistas não perceberem a sua genialidade, e você se sentir triste, não jogue tudo por alto. Lembre-se da oração do Conam :

"Crom, eu nunca rezei pra você antes, não tenho jeito pra isso, mas agora eu rezo pedindo...(O que você quiser pedir). E se você não me ouvir, pode ir pro inferno!"
Ai você adapta pro que você quiser:

"Editora, eu nunca lhe pedi nada antes, mas agora peço que publique a minha revista, E se não quiser publicar, pode ir pro inferno!"

"Crítico, eu nunca pedi nada a você antes, mas agora eu peço, faça um review da minha história no seu site, Mas se não fizer, pode ir pro inferno!"
E por ai vai.

DJ.






terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Artes para capa de The Chronicles of Kale: Livro 02!




Oi pessoal! Hoje estou apresentando artes que fiz pra capa do segundo livro da série "The Chronicles of Kale", Cuja primeira capa também foi de minha autoria, juntamente com a Autora, Aya Knight. Ela estará participando de alguns eventos nos E.U.A. O livro ainda não tem previsão de lançamento por aqui. Espero que gostem!

DJ.




terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Adeus a Álvaro Rio

Eu estava fazendo o segundo ano no colégio quando pela primeira vez ouvi falar de Al Rio. Deve ter sido provavelmente por volta de 1995. De alguma maneira soube do curso que ele iria ministrar. Fomos eu meu pai e minha mãe na revista e Cia. Falamos com o Silvio e ele me mostrou desenhos do Álvaro, fiquei fascinado. Já tinha ouvido falar de desenhistas brasileiros que trabalhavam pra Marvel e etc... Mas isso era diferente, era um cearense, morador de Fortaleza. Era um de nós. Só esse simples fato já me fez ver as coisas de uma maneira diferente, desmistificou muitas coisas. fez com que aquele sonho de garoto se tornasse um pouco mais possível. Fui fazer o curso, e muitas vezes eu baixava a cabeça fingindo que estava concentrado no desenho, quando na verdade estava prestando atenção em cada palavra que ele dizia. Até hoje lembro de coisas que ele disse como: "Não jogar fora os desenhos que você fez, porque todos representam fazes que você passou." Coisas que ele ensinava mais em conversas informais do que nas aulas propriamente ditas. Coisas que ele disse nas primeiras vezes em que estive com ele e repetiu na comic con Fortaleza, a última vez que falei com ele. Que desenho depende de concentração, observação e renúncia. Depende de você deixar de brincar e se dedicar. As vezes ele apontava um desenho e dizia: "Isso é resultado de noites sem dormir, ou fins de semana sem se divertir", algo nesse sentido. Por vezes espantava as pessoas quando dizia "não estar gostando" de um desenho ou sequencia que havia feito, que aos olhos de nós, meros mortais, era a pura perfeição. Uma vez, por indicação dele, fui comprar uma mesa de luz perto de onde ele morava. Tive a chance de entrar na casa dele e ver onde e como ele trabalhava. Naquele momento senti um choque com a realidade, ao ver uma pequena sala, com o teto coberto com uma lona, pra não pingar chuva no desenho. Claro que em pouco tempo depois a situação melhorou para ele nesse sentido. Depois percebi que a vida que ele levava assim como a vida dos demais desenhistas pra editoras americanas não era nada fácil. Trabalho intenso, prazos apertados, uma página por dia. Eu percebia que não tinha a coragem e força de vontade necessárias pra fazer oque ele fez por tantos anos. No outro curso dele, anos depois, em uma das aulas ele tocou violão para a turma. Essa foi a música que ele tocou:

E Não Vou Mais Deixar Você Tão Só
Roberto Carlos

Se a vida inteira você esperou um grande amor
E de triste até chorou
Sem esperanças de encontrar alguém
Fique sabendo que eu também andei sozinho
E sem ninguém pra mim
Fiquei sem entregar o meu carinho
Se na tua estrada não houve flor
Foi só tristeza enfim,
E em cada dia, sem ter amor, foi tudo tão ruim
Vou confessar então, meu coração
Não quer mais existir
Meus olhos vermelhos cansados de chorar querem sorrir
Ah! Por isso foi que eu decidi
Não fico nem mais um minuto aqui
Eu vou buscar o meu amor, o meu amor
Eu nunca tive alguém, agora vou
Olhar você meu bem
Guarde o meu coração
Que nunca mais eu vou deixar você tão só
E nunca mais eu vou deixar você tão só
E nunca mais eu vou ficar também tão só


Sempre chamava as pessoas pra ir na casa dele, ligar e combinar "alguma coisa". Quem sabe se sentisse solitário. Quem sabe a solidão intrínseca a isso que nós desenhistas fazemos estivesse pesando nele. Ironicamente eu não pensava em aparecer na casa dele por medo de atrapalhá-lo, pois ele estaria certamente muito ocupado com alguma página muito importante. Ele para mim era um gigante. Um mestre. Alguém que eu sempre vi como superior a mim e como alguém assim poderia precisar de mim pra alguma coisa? Ele parecia ter tudo, sucesso, dinheiro, família, amigos, respeito. Agora sempre será tarde demais. A certeza que tenho é que a beleza das imagens que ele dedicou toda sua vida, esforço e talento para criar continuarão a inspirar e a encorajar novos artistas, e fazê-los se perguntar: Eu poderia ser como Al Rio?

DJ.