Blog de notícias sobre Diego J. E a História em quadrinhos "Oigo".
terça-feira, 26 de julho de 2016
MEU REVIEW DE CAÇAFANTASMAS (Spoilers)
Primeiro que tudo, Os caça-fantasmas na minha infância eram MUITO importantes. Pra mim era no mesmo nível do Indiana Jones ou do Star Wars. Eu AMAVA aquele negócio. Eu construía mochila de prótons com caixas de papelão e armadilhas com caixas de sapatos. Eu queria ser o Bill Murray e muitas vezes o imitava conscientemente na vida real.
Ai veio o remake feminino e as polêmicas, como fã do original, eu preferia que o filme fosse uma continuação, com os velhos heróis treinando uma nova geração (que lógico poderia incluir mulheres) em vez de um remake estilo "reboot".
Apesar disso eu me mantive confiante esperançoso no filme por um único motivo, eu havia gostado MUITO do filme "Missão madrinha de casamento" do Paul Feig. Dessa forma, basicamente com o mesmo diretor, e as mesmas duas atrizes principais, eu tinha esperança de que o Remake seria pelo menos engraçado.
Assistido o filme, sim ele é engraçado. Eu realmente ri em vários momentos e me fazer rir em filmes está cada vez mais difícil. Eu adoro esse tipo de comédia de diálogos improvisados que a Melissa McCarty e a Kristen Wiig fazem tão bem. (E são mesmo elas duas que seguram a coisa toda, a Loira as vezes é meio irritante e a Leslie Jones poderia ter tido mais oportunidades) O Chris Hemsworh na minha opinião também estava surpreendentemente engraçado. Pra um filme de comédia isso deve ser o mais importante não é?
Outra coisa que eu gostei foi a parte técnica no que diz respeito a construção dos equipamentos do filme e a conversa pseudo- científica. Inicialmente tinha me incomodado um pouco os designs das mochilas, mas no filme em acho que funcionou. Estava especialmente preocupado com o efeito especial do raio de prótons estava curiosos em com eles iam fazer isso já que era uma das coisas que eu mais gostava na minha infância. Gostei do resultado, eles foram bem respeitosos ao original nesse ponto, não inventaram muito, até o feito sonoro estava quase igual.
Adorei como eles criaram novas dinâmicas na parte de pegar os fantasmas em si. Acho que eles tomaram algumas ideias do jogo dos caça-fantasmas. O jogo nem sempre seguia o esquema do filme onde o fantasma tem que ser preso e sugado para a armadilha. As vezes os fantasmas eram simplesmente incinerados pelo raio, e o raio tinha a função de carregar os fantasmas pra um determinado lugar.
Quanto ao design dos fantasmas eu não gostei nos trailers e continuei não gostando no filme. Ainda achei colorido demais, azul demais, e cartonizado demais em aguns momentos. Principalmente no fantasma da cena do show de rock. Aquele ali quase parece um fantasma do filme do scooby doo. Acho que no original o único fantasma cartonizado e engraçado era o geléia, e acho que els deveriam ter continuado assim. Claro que tinha o Sr. Stay Puft, mas ele não era bem um fantasma, era mais uma manifestação física. O fantasma que parece o Jack do "Estranho mundo de jack", por exemplo, ficou fora do design ideal pra mim. No caça-fantasmas original tinham momentos aterrorizantes com fantasmas feios mesmo, coisa de filme de terror.
Como acontece em muitos filmes de hoje em dia, o problema maior desse pra mim foi o vilão fraco. Embora aquele ator seja interessante, ele não tinha nenhum tipo de background fantasmagórico que o desse um pouco mais de força. Era só um cara qe sofreu bullyng basicamente.
Vi algumas opiniões que criticaram o filme por ser muito parecido com o original. Isso não me incomodou muito. Mas incomodou o fato de o final ter parecido algo meio burocrático, algo que tinha que acontecer, simplesmente. E também muito rápido. Se não fosse aquela cena da Melissa salvando a Kristem do buraco teria sido muito vazio. E se a parte da destruição do monstro tivesse sido melhor, teria deixado a parte do resgate do portal melhor também.
Resumindo, acho que a primeira metade, a preparação do grupo, construção dos equipamentos, etc foi bem melhor que o desfecho e a resolução do problema. O desfecho ficou meio imprensado e compacto.
DJ
At last! We have reached another step in the saga of Star Wars. The saga
you love and follow since childhood finally came to its newest chapter.
Here are my impressions: (Remember what I mean script specifically)
Good things
- I think what I enjoyed the most was the new characters. Think about
it, they could do no wrong at all and not missed. I liked the new characters
and cared about them. Rey and Finn although very different, meet quite well the
role of protagonists, being the emotional anchor of the movie. Role that was
previously played almost exclusively by Luke. They have flaws, they are human,
have personal problems to overcome. Like Luke, you have to find their place in
this great cosmic battle.
-I loved how they honored several important elements of Star Wars, but
without the exaggeration that we have seen for example with R2 in 1-3 episodes,
where they almost gave him a medal. The
way the characters were presented thrilled me. The Millennium Falcon being used
as a second option, because it is “garbage", Han Solo’s back to his life
of smugler, destroyers and walkers buried in the sand, the twisted helmet of
Darth Vader, the bar scene with the different aliens , C3PO appearing suddenly
between Han Solo and Leia ... All this gave a sense of continuity, things from
the past continues to influence the world. However, as also happens in the real
world, current generations quickly forget facts about the lives of their parents
or grandparents, thinking that things that happened are just legends. I loved
it. It seems that the world of Star Wars the cultural changes happen as quickly
as in ours.
-I liked the way they remodeled (though not much) the Empire, especially
with a new name. I thought it was appropriate for an evil organization that
wants to pretend to be something else, but being the same as before, be renamed.
And I loved the name "First Order".
-I also liked what they did with the character of Kylo Ren. Giving him a
insecurity made him a deeper character, and made his arc more interesting in my
opinion. The way he sees the "good side" of the force as a
contamination, as something that should be excised from within, remind me how
Luke saw the dark side, from the point of view of the good side, and that was
very interesting.
Bad things
The worst fault of the film, to me, was the fact that there are three plot
lines that do not influence and do not contribute almost with anything to each
other. Here you have:
-The Search for the whereabouts of Luke
-The Destruction of the weapon of the "First Order"
-The Plot of Han Solo / Kylo Ren.
Note that the Ep. 4 - A new hope, all was well tied up and the plots
were related perfectly.
-The data recovery to R2 / Death Star destruction (Fight of the
Rebellion against the Empire)
-The Discovery of the Force by Luke.
In Ep. 4 the aim was to recover R2, to extract the technical readings on
the Death Star, find a weakness and counter attack. Luke was necessary both to
retrieve the data and to destroy the Death Star, and the fact that he was
beginning to learn about the force was critical to finish the mission,
everything was related and connected perfectly.
In "Force Awakens" the story of the search for Luke in no way
influences the plot of the destruction of the First Order’s weapon. These are
two things that follow completely in parallel without meeting among the story.
The fact that Han Solo is the father of Kylo Ren also does not have much
influence on the fate of the battle of the rebellion against the First Order or
the search for Luke. The consequence of this is that, just before the final
battle against the new and expanded "Death Star" in a brief meeting,
the rebels discover a security flaw in the station that could be used. They had
some inside info from Finn, who despite being just a stormtroper, or janitor,
knew crucial information about the weapon.
While in Ep. 04, the pont of the whole plot was carried to the moment in
which the data on R2 would be used to counterattack, in "The Force Awakens,"
the search for Luke ended with an unanswered question, and most of the film
time is udes on solving this problem. The explosion of "Death Planet"
had a little time in development on the
film.
- About Han Solo’s death, I thought it should be more intense. It should
maybe happen as we saw in “Return of the Jedi” when Darth Vader salves his son
betraying his orders, but in an opposed version, where Han Solo would save Kylo
knowing his bad, becaise he is his son. It could happen like in Episode 3 when
Anakin attacks Mace windu to save the Emperor for personal interests. Han Solo
could have killed ou injured another good character who was threatining Kylo,
but then betrayed and be killed by him.
I know that in a movie like this is, coincidences are inevitable as in
Ep. 04 coincidences help the story flows, but I think in "The Force
Awakens" they abused a bit too much of the coincidences in the script.
Even taking into account that according to Obi Wan Kenobi "There is no
luck" and everything that happens can be considered "plan of
force." The meeting of the protagonists, Han Solo finding them in the
middle of SPACE (A big place), Han Solo and Finn bump into Rey inside a station
the size of a PLANET, and so on.
It bothered me a bit how Rey was good enough to beat Kylo using a lightsaber.
It was a little crazy for me. Okay, he was hurt, all right, but the fight was
between a person who had NEVER used a lightsaber in her life, and a trained
Sith, (or REN) . She had NEVER had no teaching on the force by any master. Remember
that even Luke, had already begun to train before exploding the Death Star, and
had much training with Yoda before facing DARH vader for the first time, and
LOST the fight. The "natural talent" that she had to face was too
high.
-I hated the idea of R2 being in "suspended animation"
and then out of nowhere solves a problem AT THE RIGHT TIME. That's what they
call in writing, EX MACHINA. When a script issue is solved magically and
conveniently by an unexpected solution. Sort of like when the eagles appeared
in Lord of the Rings. The BB8 has a cool design and certainly can cover rough soils
much better than the R2, but he was just a "Pen Drive" in this movie.
R2 could hack computers, releasing bomb smoke, fly and son on.
-I tought the development of Finn better than Rey’s. I’ve missed knowing
all the reason why she did not want to leave that planet, which was not
explained. Also I missed an explanation for the current state of instability of
the galaxy, as when we left the world in "Return of the Jedi", it was
all settled and organized. It's not like in Episode 4, where you could already
jump into a world in conflict because we knew nothing about it. Now we know everything
about this world. These and other issues made me think that maybe JJ wanted to
bring something from "The Empire Strikes Back" in this movie. “Empire”
ends with so many unanswered questions as "The Force Awakens." EP. 4
actually is tightly closed in itself leaving very few loose ends. The film
almost solves itself completely. We know nothing about the relationship of Luke
and Vader, as far as we understand, the Empire was destroyed, although that Darth
Vader had escaped. Part of the reason the Ep 04 is so closed, is due to the
doubt that Lucas had that if he will be able to make other Star wars movies. In
this case, we are sure that others will be made, perhaps the final outcome is
only in episode 9. It will be disappointing if we find that some of the scenes
of "The Force Awakens" that better detailed this ended up being cut
from the movie and we will need an "extended version" to fill some
gaps.
For the next film I hope we see Rey’s training in more details and some
explanations on the reasons why Luke's departure, and the origin of first
order.
Finalmente! Chegamos a mais
um passo na saga de Star Wars. A saga que você ama e acompanha desde criança finalmente
chegou ao seu mais novo capítulo. Aqui vão minhas impressões: (Lembrando que estou falando especificamente de roteiro)
Boas
- Acho que a coisa que eu
mais gostei foi dos novos personagens. Acho que o grande mérito desse filme foi
esse afinal de contras. Acho que nisso, eles não podiam errar de jeito nenhum e
não erraram. Eu gostei dos novos personagens, me importei com eles. Rey e Finn
apesar de bem diferentes, cumprem de forma bastante satisfatória o papel de
protagonistas, de serem as âncoras emocionais do filme. Papel que antes era
desempenhado quase que apenas por Luke. Eles têm defeitos, são humanos, tem
problemas pessoais pra superar. Assim como Luke, eles tem que encontrar seu
lugar nessa grande batalha cósmica.
-Adorei a forma como eles
prestaram homenagens a vários elementos importantes de Star Wars, mas sem cair
naquela "puxação de saco" exagerada que vimos por exemplo em relação
a R2, nos episódios 1-3, onde ele chegou quase a ser condecorado. A forma como
os personagens foram apresentados me emocionou. A Milenium Falcon sendo usada
como segunda opção, por ser uma "lata velha", Han Solo de volta a sua
vida de contrabadista, os destroyers e walkers enterrados na areia, O capacete
retorcido de Darth Vader, a cena do bar com os alienígenas diferentes, C3PO aparecendo de repente entre Han Solo e
Leia... Tudo isso deu uma noção de continuidade, que as coisas do passado
distante continuam a influenciar o mundo. Porém, como também acontece no mundo
real, as gerações atuais esquecem rapidamente fatos da juventude de seus pais
ou avós, até o ponto de achar que coisas que aconteceram sejam apenas lendas.
Achei legal isso. Parece que no mundo de Star Wars as mdanças de panorama
cultural acontecem tão rapidamente como no nosso.
-Gostei da forma que eles
remodelaram (embora nem tanto assim) O Império, principalmente com um novo
nome. Achei que era adequado para uma organização do mal, que quer se fazer
passar por outra coisa, mas sendo a mesma de antes, mudar o nome. E eu adorei o
nome "Primeira Ordem".
-Também gostei do que eles
fizeram com o personagem do Kylo Ren, dar a ele uma insegurança acrescentou
profundidade e deixou o personagem mais interessante na minha opinião. O modo
como ele vê o "Lado bom" da força como uma contaminação, como algo
que deve ser extirpado de dentro de si, Lembra
o modo como Luke via o Lado negro, do ponto de vista do Lado bom, e isso
foi bem interessante.
Ruins
O pior defeito do filme pra
mim foi o fato de existirem 3 linhas narrativas que não se influenciam e não
contribuem em quase nada uma com a outra. Aqui você tem:
-A busca pelo paradeiro de
Luke
-A destruição da arma da
"Primeira Ordem"
-A trama de Han Solo/ Kylo
Ren.
Lembre- se que no Ep. 4 -Uma
Primeira esperança, tudo era bem amarrado e as tramas se relacionavam
perfeitamente-
-A recuperação doa dados em
R2 / destruição da estrela da morte (Luta da Rebelião contra o império)
-A descoberta da Força por
Luke.
- No Ep. 4 o objetivo era
recuperar R2, pra extrair as leituras técnicas da estrela na Morte, descobrir
uma fraqueza e contra atacar. Luke era necessário tanto para recuperar os dados
quanto para destruir a estrela da Morte, e o fato de ele estar começando a
aprender sobre a força foi fundamental para o cumprimeto da missão, tudo se
relacionando e se interligando perfeitamente.
Em "O despertar da
força", A trama da busca por Luke em nada influencia a trama da destruição
da arma da Primeira Ordem. São duas
coisas que seguem totalmente em paralelo sem se encontrar. O fato de Han Solo
ser pai de Kylo Ren também não tem muita influência no destino da batalha da
rebelião contra a Primeira Ordem, nem na busca por Luke. Consequência disso, é
que pouco antes da batalha final contra a nova e ampliada "Estrela da
morte", numa rápida reunião, os rebeldes descobrem uma falha de segurança
na estação que poderia ser aproveitada. Me desculpem, se estou esquecendo algum
detalhe sobre isso, terei que ver o filme de novo pra me certificar.
Enquanto que no Ep. 04 , toda
a busca do filme, nos levava aquele momento em que os dados em R2 seriam usados
pra contra atacar. Em "O despertar da Força", o final da busca por
Luke terminou com uma pergunta sem resposta, sendo que ficamos boa parte do
filme resolvendo esse problema, enquando que o problema que foi resolvido, (A
explosão do "Planeta da Morte") Teve pouco tempo de filme em
desenvolvimento.
-Sobre a Morte de Han Solo,
achei que poderia ter sido potencializado mais o momento. Poderia ter
acontecido algo similar ao que vimos em "O retorno de Jedi", onde
Darth Vader salva o filho traindo suas ordens, mas numa versão ao contrário,
onde Han Solo salvaria Kylo, sabendo que ele é mau, por ele ser seu filho.
Poderia ter acontecido também algo similar ao que vimos em Ep. 03, quando
Anakin ataca Mace Windu, para slavar o Imperador, por seus interessas pessoais.
Han Solo poderia ter matado ou ferido Outro personagem do bem, que estivesse
ameaçando Kylo, para depois ser traído e morto por ele.
-Sei que em um filme como
esse é inevitável que ocorram coincidências, já no Ep. 04 temos coincidências
acontecendo que ajudam a história a andar, mas eu acho que em "O despertar
da Força" Eles abusaram um pouco demais de coincidências no roteiro. Mesmo
levando em consideração que segundo Obi Wan Kenobi "Não existe sorte"
e tudo que acontece pode ser considerado
"desígnio da força". Temos o encontro dos protagonistas, Han Solo
encontrando eles no meio do ESPAÇO (Um lugar bem grande), Han Solo e Finn dando
de cara com Rey dentro de uma estação do tamanho de um PLANETA, e por ai vai.
-Me imcomodou um pouco o modo
como Rey parecia tão boa no sabre de Luz a ponto de vencer Kylo. Isso esticou
um pouco a baladeira pra mim. Ok, ele estava ferido, tudo bem, mas a briga era
entre uma pessoa que NUNCA tinha usado um sabre de luz na vida, e um Sith
TREINADO. Ela NUNCA tinha tido ensinamento nenhum sobre a força de nenhum
mestre. Lembrem- se que mesmo Luke, já tinha começado a treinar antes de
explodir a estrela da morte, e tinha treinado bem mais com Yoda antes de
enfrentar Darh vader pela primeira vez e PERDEU a luta. O "talento natural" que ela tem pra
força foi muito esticado.
-Detestei a idéia de o R2 estar em "animação
suspensa" e depois acordar DO NADA com a resposta do problema NO MOMENTO
CERTO. Isso é que eles chamam em escrita de EX MACHINA. Quando um problema de
roteiro é resolvido magicamente e convenientemente por uma solução inesperada.
Mais ou menos como as águias do Senhor dos Anéis. O bb8 tem um design legal e
com certeza consegue percorrer terrenos irregulares bem melhor que o R2, mas
ele foi só um "Pen Drive" nesse filme. R2 podia rackear computadores,
soltar bomba de fumaça, Voar, o diabo a 4.
-Achei o desenvolvimento de
Finn melhor que o de Rey, senti falta de saber afinal de contas o motivo pelo
qual ela não queria sair daquele planeta de jeito nenhum, o que não foi
explicado. Também senti falta de uma explicação pra o atual estado de
instabilidade da galáxia, já que quando
deixamos o mundo, em "O retorno de Jedi", estava tudo acertado e
organizado. Não é como no episódio 4, onde você já podia pular dentro de um
mundo em conflito porque não sabíamos nada sobre ele. Agora sabemos tudo sobre
esse mundo. Esse fato e outras questões me fizeram pensar que talvez J.J.
quisesse colcoar algo de "O império Contra-ataca", nesse filme. O
Império Contra ataca termina com tantas perguntas sem resposta como "O
despertar da força". O EP. 4 na verdade, é bem fechado em si mesmo, deixa
muito poucas pontas soltas. O filme quase que se resolve em si mesmo
completamente. Não sabemos nada sobre o parentesco de Luke e Vader, até onde
entendemos, o Império foi destruído, apesar de Darth Vader ter escapado. Parte
do motivo de o Ep 04 ser tão fechado, é devido a dúvida que Lucas tinha se
seria capaz de fazer os outros. No caso de "O despertar da Força",
com a garantia de que os outros serão feitos, talvez o desfecho final seja
apenas no episódio 9. Será decepcionante se descobrirmos que algumas das cenas
de "O despertar da força" que detalhavam melhor essas questões,
acabaram sendo cortadas na edição, e que vamos precisar de uma "versão
estendida" pra entender isso tudo melhor.
Pro próximo filme espero que
vejamos o treinamento de Rey, explicações mais detalhadas sobre o porquê do
afastamento de Luke, e de onde surgiu a Primeira ordem.
E ai amigos do Blog do OIGO! Depois de muito tempo sem postar devido a ocupações, estou de volta!
Vou falar nesse texto sobre feminismo. UUUuuh!
Não nada disso, sem polêmica. Durante algum tempo já venho observando o crescimento do movimento feminista nos quadrinhos. Eu acho interessante, porque desde que li os livros do Scott McLoud sempre acreditei que o famoso "potencial inalcançado" dos quadrinhos descrito por ele fosse uma realidade. Tanto do ponto de vista gráfico, quanto do ponto de vista de representatividade. Antes do burburinho feminista nos quadrinhos começar, eu já acreditava nisso.
Quem quiser pode conferir a HQ "Mônica", desenhada por mim e com roteiros da Jessika Thaís, nos downloads da página em "Coletânea".
Depois de um tempo eu percebi que o movimento feminista não estava aí só para representar as mulheres mas também para criticar a maneira como nós as representávamos. Começaram a aparecer críticas a algumas coisas que antes eram consideradas "de boas", algumas das histórias que me lembro agora, foram a capa do Manara, a camisa do cara do cometa (essa sem relação direta com o universo dos quadrinhos), e mais recentemente a imagem de divulgação do HQ mix.
E é ai justamente que a coisa começou a ficar estranha, e ai apareceu a palavra da moda:
OBJETIFICAÇÃO
O que é objetificação afinal? Eu acredito que todo mundo que tenha desejo sexual, seja por homens ou mulheres, uma vez na vida pelo menos tenha fantasiado com o corpo ideal, com um copro que seria perfeito para você. O corpo que você gostaria de tocar. Não acredito que possa existir desejo sexual sem fantasias sobre corpos. Homens fazem isso, mulheres fazem isso, gays fazem isso, sou capaz de apostar que até feministas fazem isso.
Quando somos criativos, queremos fugir da realidade, queremos estar num espaço onde somos livres, onde queremos ver realizadas nossas fantasias e desejos. Fantasiamos tudo, ambientes, histórias, tecnologias, super poderes, personalidades, tudo que existe pelo menos parcialmente só nas nossas mentes. E todos tem fantasias e desejos, mas nem todos as EXPRESSAM. Se você tem habilidade de desenhar, você pode ver suas imagens mentais, realizá-las em um papel ou tela de computador.
Quando desenhei aquela história achei que seria interessante ver a conquista pelo ponto de uma mulher, sempre tive curiosidade pelo ponto de vista feminino das coisas, mas de repente o feminismo começou a criticar e querer restringir o que nós fazíamos ao mesmo tempo que poderia ter avançado um pouco mais na questão da representação do ponto de vista feminino.
Isso tudo me fez pensar que as feministas criticariam bem menos a nossa liberdade de expressão (com realação a imagens de mulheres) se exercessem completamente a delas. Porque elas podem, não? Eles não tem liberdade pra tudo, ou estão lutando cada vez mais por liberdade? Porque então elas parecem não querer usar a liberdade que tem?
Se você é uma mulher heterossexual as chances são se que você goste de corpos de homem e goste de pênis. Então porque milhares de homens desenham corpos de mulheres que eles consideram atraentes, desenham seios, bundas, pernas, mas muito dificilmente você vê uma mulher heterossexual expressando alguma imagem de fantasia de corpo de homem? de um pênis? É porque elas não tem fantasias com isso? Não mesmo.
Falo mulher heterossexual porque me parece que existe mais liberdade no meio feminista para mulheres homossexuais desenharem corpos de mulheres, tenho impressão que nesse caso elas não consideram objetificaçao (?) Bem, se a maioria das mulheres não entende completamente o feminismo, eu como homem é que não vou.
SOCIEDADE
TODAS as mulheres tem fantasias. Só não as expressam por medo do que a sociedade vai pensar delas. Muito poucas mulheres teriam a coragem de fazer isso. De deixar pra lá o que pais, amigos e outras pessoas vão pensar. Elas tem bem mais coragem de ir contra os homens do que de ir contra a sociedade. E se existe algum adversário, alguém barrando o caminho para as mulheres com certeza é a sociedade e não nós homens. Sociedade é qualquer pessoa de qualquer sexo que chegue pra você te lembrando das regras que você não pode quebrar, ou te lembrando das punições que você terá caso as quebre. Por exemplo:
Regra social: "Mulheres não podem expressar suas tendências sexuais"
Punição social: "Serem taxadas de vadias ou fáceis".
Homens expressam mais facilmente tendências sexuais porque não existe punição social pra nós, sob certos aspectos existem até recompensas. Mas isso não quer dizer que estamos livres da mão invisível da sociedade. Existe uma série de regras muitas vezes também não ditas em voz alta, que precisamos seguir, e sabemos muito bem as punições que teremos se não seguirmos.
Exemplo:
Regra social: Homens não podem demonstrar fraqueza.
Punição social: Não ser atrativo para mulheres.
Eu acredito que seja função da arte destruir as regras sociais, explodi-las completamente como o torpedo do Luke explodiu a Estrela da morte. Isso significa dizer essas verdades que todo mundo sabe mas ninguém fala. Coisas que precisam ser ditas, como por exemplo:
Mulheres também tem fantasias sexuais.
Homens também são frágeis e tem sentimentos.
A luta contra as regras sociais não é apenas fora de nós, mas principalmente dentro de nós, porque todas essas regras já estão na nossa cabeça, nos impedindo de fazer alguma coisa, ou nos obrigando a fazer alguma coisa no automático.
Precisamos bem menos de reclamações sobre imagens de mulheres, e mais de obras de quadrinhos que subvertam a imagem social da mulher, subvertam o que a sociedade espera da mulher, o que o feminismo espera da mulher, e mostre como ela é na VERDADE.
Mas pra isso é preciso um pouco mais de coragem da parte das artistas, como expliquei.
Gostaria de ver mais obras FEMININAS e menos FEMINISTAS. Porque o feminismo do jeito que vai, apenas adiciona mais uma camada de regras de comportamento sobre camada que a sociedade já colocava sobre as mulheres. Por isso muitas mulheres não se dizem feministas, muitas não sabem como se posicionar nisso tudo, não sabem a que conjunto de regras aderir ou não aderir.
O problema maior com as regras sociais, o problema em entrar num grupo como feministas, é que nenhum conjunto de regras vai dar conta de descrever e representar satisfatoriamente todos os indivíduos. A arte é justamente criar suas próprias regras, ao mesmo tempo em que você expõe as contradições e falhas nas regras "gerais".
Ai cria-se também outra fonte e contradições e maus entendidos, quando o grupo feminusta taxa um homem ou um grupo de homens de "machista". Muitos homens tem dificuldade em se considerar machistas porque esse é um conceito amplo que não representa as individualidades. Bater em uma mulher é indiscutivelmente machista, mas e dai pra outras coisas mais cotidianas? Um amigo meu foi a um evento feminista que aconteceu aqui na minha cidade e foi considerado machista por ter ficado calado durante uma palestra (!?). Ninguém em sâ consciência gostaria de ser colocado no mesmo "saco" que um agressor de mulheres.
Sobre a recente polêmica da imagem do HQ mix, muitas pessoas estão esperando um pedido de desculpas da equipe de organização do evento, mas é difícil pedir desculpa se você não acha que fez algo errado. E se você não acha que fez algo errado, pedir desculpa não seria como assumir uma culpa?
Arte x Comércio
Agora tenha em mente que tudo que falei até aqui se aplica a uma ótica artística, a uma obra. Se estamos falando não de uma obra, mas de um produto, ai já é um animal completamente diferente. Eu não acredito em premiações nem tenho acompanhado de perto nada sobre o HQ Mix nos últimos anos, mas caso de a lista de prioridades deles seja : Fazer público, agradar um público-alvo, manter uma boa imagem para não espantar público, coisas desse tipo, então ao fazer algo que desagrada o público (imaginando que eles considerassem feministas como parte do público) eles estariam realmente indo contra os objetivos de ganhar/agradar o público (caso esse fosse o objetivo). Se esse for o caso, eles deveriam estar considerando a possibilidade de um pedido de desculpas a essa parte específica do público que se ofendeu, por risco de perdê-la.
Uma obra de arte diferente de um produto não tem compromisso nenhum em agradar ou desagradar. Não há um objetivo maior que a expressão do artista. Não há preocupação em atrair público ou fidelizar público, não existe nem mesmo um público alvo definido. Não é necessário.
Feminismo "Jeanie Bueller"
Tirar a liberdade de expressar fantasias dos homens em nada vai ajudar as mulheres a terem mais liberdade.
Tentar restringir a liberdade de alguém de expressar suas fantasias é um esforço tão inútil quanto irreal. Fantasias sempre existirão. Apenas algumas pessoas falam, expressam, e outras não. Negar isso seria como negar o desejo sexual, e negar uma coisa que é tão forte e que influencia tanto do nosso comportamento não faz o menor sentido. Não seria como tentar tapar o sol com a peneira, mas mais como tentar tapar o sol com uma agulha. Um exercício que pra mim vai do ingênuo ao cínico. Simplesmente não parece real, não parece honesto e pra mim portanto, não parece artístico.
É como já dizia Chico Buarque:
"O que não tem governo nem nunca terá O que não tem vergonha nem nunca terá O que não tem juízo"
Em outras palavras, não tente governar o que não tem governo (nem nunca terá).
Foi dai que eu resolvi rebatizar essa onda feminista, , como Feminismo "Jeanie Bueller"
Pra quem não se lembra, Jeanie Bueller era a irmã de Ferris Bueller, personagem icônico do clássico dos anos 80 "Ferris Bueller's Day Off" ou o nosso "Curtindo a vida adoidado". Eu acho que essa personagem realmente é a metáfora perfeita pra mostrar a atitude feminista atual, com relação a arte.
Jeanie Bueller passa basicamente o filme inteiro com raiva de Ferris, porque ele pode fazer tudo que quiser, pode faltar aulas, pode enganar o diretor, e ninguém pega ele. Ela fica o tempo todo tentando fazer com que Ferris seja pego, que pague por seu "crime" de faltar aulas. Durante a conversa com o personagem de Charlie Sheen, ela finalmente percebe que ela tem mais é que cuidar da própria vida, ao invés de ficar se preocupando com ele. Se ele mata aulas, e dai? Ela também poderia matar. Ela poderia fazer tudo que ele faz, só não faz por que não quer. E é justamente por não fazer que ela se ressente dele. Quando ela percebe que pode também fazer o que quiser, ela não tem mais raiva dele, e até ajuda ele no final! Lindo não?
Da mesma forma se as mulheres percebessem que podem fazer tudo que fazemos, podem expressar todos os seus mais íntimos desejos como nós fazemos, elas não teriam motivo nenhum para querer censurar a nossa expressão, até entenderiam melhor os motivos.
Não são mulheres contra nós, e sim nós todos contra a sociedade.
Podem me chamar de sonhador, mas eu acredito que isso é possível.
Olá amigos do Blog do Oigo! Diego José aqui com mais uma
matéria imperdível. Desta vez sobre o recente filme Interestelar de Christopher
Nolan.
Diferente do que pode parecer pelo que você vai ler em
seguida, eu realmente gostei do filme. Gostei de ele ser cientificamente
correto até certo ponto, lidar com questões atuais sobre o futuro da
sobrevivência na terra, lidar com coisas como buracos de minhoca, buracos
negros e conquista de novos planetas com uma coerência científica pouco vista
antes no cinema.
Eu apenas achei que a
teoria que ele propõe e prova como correta no final do filme, é questionável do
ponto de vista científico. E essa teoria é a de que o Amor é o sentido do
universo, o sentido de tudo. No filme, o protagonista é confrontado pela
questão de ter que escolher entre salvar toda a raça humana e ver sua filha de
novo, sendo que ele tinha prometido a ela voltar, e não tinha certeza se
conseguiria cumprir. Em algum ponto do filme essa escolha é driblada pelo
roteiro, e ele consegue salvar a humanidade e estar com a filha ao mesmo tempo.
Vou voltar a essa questão um pouco mais na frente.
No fim do filme quando o protagonista entra no buraco negro,
ele descobre que o Amor é o sentido de tudo e que isso o levaria a salvação da
humanidade. Sentimentos sendo mais importantes que o intelecto. Essa mesma
sentença é novamente comprovada no filme, quando a personagem de Anne Hathaway
toma a decisão intelectual ao invés da decisão emocional e isso dá em merda total.
O ponto do filme foi entendido, Christopher, aliás é curioso que a mensagem
seja essa, dentro de um filme tão cientificamente acurado.
Meu problema com isso é que eu não acho que o Amor é o
sentido de universo, o sentido de tudo. Acho que não é nem o sentido da nossa
vida. É claro, nós vivemos como se fosse, porque é assim que nós fomos criados
para ser. Mas o amor, o ódio, a felicidade e todos os sentimentos humanos não
podem ser o sentido de nada, porque eles não são o final de nada.
Eles são uma ferramenta pra se atingir outra coisa, e
portanto não podem ser o objetivo final de nada.
Se você diz que o amor é o sentido de tudo, pra mim você age
mais ou menos como o Pai do Cameron no curtindo a vida adoidado, lembra? Você
tem um carro parado na garagem, você não anda nele porque você o ama e não quer
gastá-lo nem pra ir na esquina comprar pão. Mas o propósito do carro é levar
você a algum lugar. Se você deixa ele parado na garagem, qual a função dele?
Nenhuma. Só ser bonito. Da mesma forma, o amor também é bonito, mas ele é uma
ferramenta com uma função específica. Levar você a algum lugar. E uma função
que pode muito bem ser mais lógica do que emocional.
Todos os sentimentos humanos tem uma função na manutenção da
vida da espécie.
O amor serve para nos importarmos uns com os outros, ajuda
na sobrevivência de crianças pequenas. Laços familiares são importantíssimos
pra sobrevivência da espécie, amor entre parentes próximos manteve a espécie
viva contra predadores, etc.
Medo serve para nos manter afastado de perigos
desnecessários.
Raiva, agressividade serve para nos defendermos de ameaças.
Inveja serve para nos impulsionar a aprender coisas novas e
nos superarmos.
Alegria serve como uma recompensa e alívio sem a qual não
conseguiríamos manter a difícil rotina de sobrevivência.
Até o amor a entes falecidos questionado no filme pela
personagem de Anne Hathaway tem a meu ver uma função na sociedade. Temos que
acreditar que nossos entes queridos falecidos estão felizes ou alcançaram algum
tipo de descanso eterno, para que acreditemos que nós também alcançaremos isso
algum dia. O que por sua vez, nos faz voltar ao trabalho mais tranquilos, no
nosso dia a dia de sobrevivência.
Nós não vivemos para amar. Amamos para viver.
O objetivo é esse, o lugar pra ir é esse. Precisamos ficar
vivos, como indivíduos e como espécie, e pra isso não tem jeito, precisamos da
ajuda uns dos outros. Precisamos de nosso pais, amigos, profissionais da
sociedade, mas acima de tudo, precisamos dos sentimentos. Eles são a cola que
mantém a sociedade unida. O óleo que mantém a engrenagem rodando. Agora se você
começa a perguntar porque essa engrenagem tem que rodar, acho que está fazendo
a pergunta mais profunda, mais do que a que foi feita pelo filme.
Todos nós estamos dentro dessa espiral de sentimentos, não
podemos nos desvencilhar dela. Os que por acaso nascem com o problema de estar
de fora disso, são doentes, psicopatas, pessoas que não sentem empatia nenhuma,
são uma ameaça a vida.
Por mais difícil que seja para nós visualizar essa
realidade, pode muito bem ser uma verdade científica que o sentido da
existência seja como um filme do lars von trier, e não como esse do Christopher
Nolan.
Pode muito bem ser verdade que a realidade da existência
seja mais parecida com o Melancolia do que com o Interestelar. Eu sinceramente
gostaria de acreditar que é como o Interestelar, mas é perfeitamente possível que
não seja, a meu ver.
Pra quem não se lembra Melancolia mostra pessoas vivendo
suas vidas enquanto um planeta entra em rota de colisão com a terra. As pessoas
que tem algum tipo de laço emocional parecem se desapontar com todos estes. A
existência aparentemente sem sentido ou
propósito da personagem de Kristen Dunst, parece se encaixar, ou concordar com
a falta de sentido total de um planeta que se choca com a Terra e acaba com
toda a vida de uma vez só. No final do filme, o planeta se choca, e vemos uma
nuvem de fogo. Fim. Sobem os créditos.
O final desse filme me deu uma sensação de vazio real como
poucas vezes eu senti antes. Mas tudo bem, isso só mostra que eu tenho
sentimentos, e gostaria de acreditar que as coisas no fim tem um sentido.
Em Interestelar,
quando a questão intelecto x sentimentos é colocada a prova, sentimentos
vencem, sempre. Quando o protagonista decide entrar no buraco negro para salvar
a humanidade, ele escolhe nunca mais ver a filha (se estou bem lembrado do
filme). Mas pra surpresa geral, dentro do buraco negro é como se você visse um
espelho dos seus sentimentos(?). O que o permitiu não só salvar a humanidade,
como ver novamente a filha. Isso exclui
a consequencia negativa da decisão máxima do filme, e por isso mesmo enfraquece
o peso da decisão, na minha opinião. Se você me perguntar, eu preferiria fazer
o personagem sofrer as consequencias das escolhas que ele tomou. Se ele decidiu
entrar no buraco negro, ele não veria mais a filha. Se ele decidisse ver a
filha, seria o fim da humanidade. Mas... Estamos falando de cinema americano.
Dinheiro e finais felizes...
O que leva a outra coisa interessante do filme. Que
consequencias existirão quando a humanidade conseguir quebrar a velocidade da
luz? Teremos realmente a coragem de nos jogar no espaço em missões sem retorno
em busca de outros planetas? Nos depararemos com a decisão do personagem de Matt
Damon? Salvar a minha pele ou salvar a humanidade?
Só espero que a
pessoa que for jogada no espaço pra salvar a humanidade tenha o pensamento mais
racional e menos emocional que o protagonista de Christopher Nolan. Porque na
realidade, o fim do buraco pode ser realmente negro.
Olá amigos do BLOG do Oigo! Hoje vou falar com vocês um
pouco sobre algumas divagações minhas a respeito de roteiros, mas
especificamente roteiro de quadrinhos.
Eu assim como muitos de vocês, quero escrever e escrevo roteiros, mas sempre
achei que falando de histórias em quadrinhos, essa era justamente uma das áreas
mais carentes de informação para se estudar.
Veja bem, aqui onde eu moro, em Fortaleza, por exemplo,
existem bons cursos de desenho, com professores que estudaram fora,
profissionais de mercado e tudo mais, mas eu nunca vi algo parecido quando o
assunto é roteiro. Nunca tive aula de roteiros com alguém que realmente tivesse
tido um estudo formal no assunto, ou seja profissional disso. Nem sequer conheço
alguém assim. O que existe são pessoas que são autodidata no estudo de
roteiros como eu, que se metem (como eu) a dar aulas sobre isso. No caminho
para aprender a coisa, acabei tendo que ensinar. É uma daquelas coisas que você
faz porque teve que fazer, "aprendeu" fazendo, e sozinho.
É claro que com a internet isso mudou alguma coisa, pois
conhecimento sobre escrita criativa agora está ai disponível pra quem quiser
ver, ou pra quem souber que existe! Ou você nunca ouviu a frase: "Você não
sabe o que você não sabe?"
Quando eu comecei a desenhar na minha infância, eu sabia que
meu desenho estava "ruim", porque eu lia revistas do homem aranha e
sabia que não estava igual, só não sabia porque. Fiquei muito tempo sem saber
porque, até que um dia alguém me disse que existiam dois assuntos chamados
Anatomia e perspectiva. Descobri os motivos pelos quais meus desenhos eram
ruins. Era isso que eu não sabia. Eu não sabia que existiam esses assuntos, que
eu não sabia nada sobre.
A mesma coisa pode ser dita sobre roteiros. Porque o
conhecimento sobre escrita dramática é meio "escondido", meio
inacessível, ninguém sabe que existe um assunto chamado Dramaturgia, que é o
que você precisa aprender, é o motivo pelo qual seus roteiros estão ruins.
Existe uma arte técnica de se contar histórias.
Da mesma forma que eu desenhava completamente por instinto,
completamente da minha cabeça quando eu não sabia da existência de anatomia e
perspectiva, eu escrevia completamente por instinto por não saber da existência
de dramaturgia. Por favor não confunda essa palavra com a escrita de novelas, é
simplesmente a palavra que eu estou usando para descrever técnicas de se contar
histórias que vem sendo usadas desde a Grécia antiga, talvez até antes.
Eu estava conversando com um amigo um dia desse sobre isso e
eu disse a ele que era exatamente isso que eu acho que falta aos quadrinhos
nacionais. Acho que a grande maioria das pessoas escreve por instinto, sem ter
nenhum tipo de conhecimento que os ajude a melhorar seus roteiros, não porque
eles não querem, mas muitas vezes porque eles nem se tocam que escrever pode
ser aprendido e aprimorado assim como
qualquer outra coisa. Eu disse ao meu amigo isso e repito: Não são desenhistas que vão salvar alma dos
quadrinhos nacionais, temos tido ótimos desenhistas a anos. Bons roteiros, isso
sim é que vai nos salvar. Essa é a única maneira que eu vejo pra nos sairmos
das duas síndromes que afetam os quadrinhos nacionais: A síndrome da
"Turma da Mônica" e a síndrome do "Super- herói nacional."
Acho que se as pessoas passassem mais tempo discutindo sobre
roteiros, e menos tempo discutindo sobre "Os destinos do quadrinho
nacional", a coisa já estaria bem melhor.
Mas é claro que isso não é como matemática, não é algo que você
lê num livro e aprende automaticamente, assim como toda técnica artística a
sabedoria está menos em aprender, e mais em saber quando usar, ou quando não
usar. E antes que alguém diga que é "artístico" fazer as coisas sem
estar baseado em regras pré- estabelecidas, sem usar coisas como arquétipos por
exemplo... Eu acho melhor saber que uma técnica existe, e portanto ter a opção
de usar ou não usar. Quando você não sabe que existe, você só tem a opção de
não usar, concordam?
Mas bem, eu não me considero um bom roteirista ainda, não
sei se me considerarei algum dia, mas posso dizer que tenho estudado o assunto,
e comecei a ver que escrever é muito mais complicado do que eu pensei
inicialmente. Mais ou menos como descobrir as linhas de fuga de
perspectiva. Acho que ter descoberto
isso é bom, porque isso quer dizer aprendizado.
Resumidamente o que existe pra mim em matéria de roteiro
hoje são três partes básicas três "momentos", em que pode ser
dividido o processo de escrita:
Parte 01- O argumento- Onde você fala o que acontece na
história efetivamente, que é mais ou menos como você fala quando conta uma
história a alguém. Você diz: "Fulano disse isso", depois aconteceu isso,
etc.
Parte 02- O que está por trás- As intenções escondidas dos
personagens, sua intenção como escritor de passar uma ideia, uma mensagem, uma
sensação. Isso pode ser algo bem simples, como por exemplo:
"Superação", "Solidão", etc... Até conceitos mais complexos.
Parte 03- O roteiro final- Pronto com as falas dos
personagens, Descrições de planos se for pra cinema, descrição de quadros se
for pra quadrinhos, descrição simplesmente se for um livro, com as falas dos
personagens, etc.
Dessas três partes, a número dois ali é justamente onde eu
acho que está o problema.
Acho que a maioria das pessoas iniciantes em escrita, eu
incluso, fazem somente a parte 01 e a parte 03, esquecendo completamente da
parte 02. E é justamente nessa parte que está o perigo, e também a recompensa.
Enquanto estudava sobre roteiros pensei que os bons roteiros
são aqueles que dão a você a ilusão de que você é inteligente. Nada a ver com
ser de verdade ou não. Isso porque quando você sente que "pegou" o
que o autor quer dizer (parte 02), isso faz com que você se sinta inteligente.
O que também não quer absolutamente dizer que você pegou o que ele quis dizer,
você pegou alguma coisa, se é o que ele quis dizer, só Deus sabe.
Agora é claro que isso é como um jogo de videogame. Se for
muito fácil vai ser frustrante, se for muito difícil vai ser igualmente
frustrante, então cabe a você esconder ou revelar na medida certa o seu ponto
número "02" citado por mim lá em cima.
Pense na primeira edição do cavaleiro das trevas do Frank
Miller:
(Oh... O Batman se sente como o Duas-Caras, ou ele é
exatamente igual ao duas caras)
A piada Mortal do Allan Moore:
(O coringa não é tão ruim, porque qualquer pessoa que
tivesse passado por aquilo teria ficado louco)
Aquela primeira parte do Daytripper:
(Você dificilmente vai conseguir fugir da influência da sua família na sua vida, seja boa ou ruim)
METÁFORA- É a palavra. A boa história remete a outra coisa. Porque você acha que Jesus e o Mestre dos Magos sempre falavam em parábolas e enigmas? Porque o conhecimento que você tem trabalho pra encontrar é o que fica com você, o que te é dado de mão beijada é esquecido.
O número DOIS que eu falei acima é o que eu acredito que
separa os roteiros bons dos roteiros ruins. Você pensa que gosta da piada
mortal porque foi uma boa História do Batman e do Coringa, mas não. Você gosta
porque ela foi uma das únicas que queria dizer alguma coisa, passar um
"conceito" fora da superfície do Batman e Coringa. Esse conceito:
"Qualquer pessoa normal ficaria louca se passasse por
experiências traumáticas?" É a história, e poderia ter sido contada de
várias formas diferentes, poderia ter sido contado por duas donas de casa, dos
esquimós, dois lixeiros, ou no caso... Um herói e um vilão.
Outra ideia que eu tinha e que foi derrubada quando comecei
a ler sobre isso é a de que quem escreve assim já senta pra escrever sabendo do
que vai falar, sabendo qual é o tema ou ideia por trás de tudo, mas não. Você
vai escrevendo simplesmente, no meio do processo a tema pode aparecer. Dai pra
frente você escreve tudo se encaixando com ele, e volta dai pra trás encaixando
tudo com ele também. Mas você tem que estar atento ao tema, quando ele se
revelar.
E como mostrar isso então? Sempre fiquei intrigado com algo
que acontecia sempre nos roteiros do House. Eu adoro a série, mas em alguns
episódios eles tinham a necessidade de fazer algum personagem dizer
literalmente o "sub-tema" da coisa, a coisa que talvez fosse melhor
você entender sozinho. Exemplo:
No episódio (que é um dos meus preferidos) Em que o Foreman
fica doente, e o House não age como normalmente agiria- Sem ter alguma ideia
louca pra salvar a vida de Foreman, como ele agiria se fosse qualquer outro
paciente, Wilson diz a House que ele está "travado" por se tratar de
uma pessoa que ele conhece, não um estranho completo, e portanto ele não teria
o distanciamento necessário para criar uma daquelas ideias mirabolantes e
arriscadas que acabariam por salvar a vida de Foreman. Explicação da ideia por
trás.
Necessária? Não sei. O que eles faziam constantemente na
série na minha opinião é pegar coisas que deveriam estar na parte 02, e jogar
na parte 03, no roteiro em si. Mas tudo bem, talvez fosse porque algumas coisas
seriam complexas demais. Nada que atrapalhe a série.
Outra coisa bem interessante diz respeito a escrita de
diálogos. Podem achar loucura, mas eu
acabei descobrindo que escrever diálogos pode ser um trabalho bem mais próximo
do trabalho de um ator, do que do trabalho de um escritor. Quando você escreve
um diálogo, sua cabeça tem que estar funcionando completamente na "parte
02". O que você vai digitar, o que você vai fazer o personagem falar é
quase tão interpretativo quanto como se você fosse o próprio ator a dizer
aquelas falas. Porque as falas escritas também são uma interpretação. De que?
Se você perguntar... De tudo que há por trás, da personalidade do personagem,
da situação do momento da história, etc e tal. A fala tem que ser o que
inevitavelmente aquela pessoa diria naquela situação de acordo com algo que
você como autor quer passar também. É sobre isso que escritores falam quando
dizem que personagens "ganham vida" ou "se escrevem
sozinhos", claro que isso não existe. O que existe é que você conhece tão
bem aquele personagem, que o que ele diz é inevitável, ele não poderia dizer de
outra forma.
Olá amigos do Blog do Oigo! Diego José aqui para mais uma
matéria imperdível, desta vez sobre o grande Harvey Pekar!
Pra quem não conhece ainda a trajetória deste, como diria o
Faustão- Monstro sagrado dos quadrinhos, aqui vai um pequeno resumo:
Harvey Pekar nasceu em Clevelad, Estados Unidos, em 8 de
Outubro de 1939, morrendo em 12 de julho de 2010. Segundo suas próprias
palavras, passou 10 anos "teorizando" sobre a possibilidade de fazer
uma história em quadrinhos.
Escrevia
histórias e fazia pequenos layouts com figuras de palito. Foi só depois de sua
amizade com Robert Crumb, que ele finalmente conseguiu ter uma de suas
histórias desenhadas, e nascia a série "American Splendor", em 1976,
que até onde sei está sendo vendida e republicada até hoje.
Pekar Definia sua obra como " Uma história que é
escrita enquanto acontece". O grande lance de Harvey, a sua genialidade
era isso. Suas histórias eram retratos fiéis do que acontecia em sua vida.
Pense o que acontece na sua vida: Você vai pro
trabalho, no super mercado, chega em
casa, conversa com um amigo, fala no telefone, pronto. Isso é sua vida e isso
eram as histórias do Harvey.
As histórias do Harvey, assim como as do Robert Crumb e
outros autobiográficos hardcores, não
tem as técnicas de roteiro que você aprenderia se fosse fazer um curso de como
escrever roteiros. Não tem ritmo, começo
meio e fim, muitas vezes não tem conflitos e quando tem, estes são apresentados
de maneira bem diferente, não tem conclusão, clímax, etc e etc... Nenhum dos velhos truques de
dramaturgia. Elas carecem daquele esquema de estrutura de roteiro utilizado
pelo autor com o intuito de passar alguma mensagem, mas isso não quer dizer que
elas não tem mensagem nenhuma.
Alan Moore, um dos grandes apoiadores e fãs do Pekar, disse
que suas histórias só não são mais aclamadas e aceitas porque os leitores de
quadrinhos não estão acostumados a sutilezas.
As histórias do Harvey não chegam a conclusão nenhuma porque
a vida não tem conclusão nenhuma. Não
tem emoção (em sua maioria) porque 90% da vida não tem emoção nenhuma. 90 % da
vida é feita de sequências de momentos chatos e tediosos. Se tivermos sorte,
teremos alguns poucos momentos de felicidade e significado para nos agarrarmos,
e mesmo se não tivermos, devemos agradecer pra não ir pro outro lado da moeda,
para os momentos ruins, apesar de que neles (as vezes) também conseguimos
significado.
Todas as obras: Filmes, livros e quadrinhos, principalmente
os mais comerciais, retratam exatamente esses 10% de vida, em que as coisas
parecem extremamente felizes ou tristes, o momento que atribuímos significado. É sempre o momento de risco de vida, o momento
de grandes viradas na vida amorosa, o casamento, nascimento de filhos, morte de alguém, momentos extremamente
engraçados, conflitos familiares, etc... Inclusive isso tem sido uma prática
das grandes editoras, sempre que um personagem famoso está caindo em vendas...
Todo mundo lembra da morte e casamento do Super homem não é? E eles fizeram
nessa ordem... Acho que eles pensaram... Depois da morte, o que pode ser pior?
Mas e se a vida tivesse significado no momentos tediosos do
dia a dia? E se não precisássemos de momentos bombásticos fictícios? Talvez
a vida faça sentido até mesmo na fila do super mercado, até mesmo quando você
recebe uma ligação errada ou quando dá comida ao seu gato. Quem sabe você que
não percebeu, por ser muito sutil. Ou quem sabe o que você pensou ser o sentido
real, não era. Quem sabe o sentido esteja no pequeno, no casual e no intimo e
não no grandioso, no épico.
É claro que Harvey Pekar não transformou toda sua vida em
histórias em quadrinhos. Não tinha como.
E mesmo ele também retratou em suas histórias os momentos dramáticos de sua
vida, como quando ele teve câncer, ou quando conheceu a esposa, quando seu
filme foi lançado, etc. É relativamente
fácil imaginar porque o fato de ele ter tido câncer acabou nas páginas dos
quadrinhos, mas e quanto aos fatos comuns e corriqueiros? Dos milhões de fatos
comuns e corriqueiros porque escolher justamente os que ele escolheu?
Porque no fundo as histórias não são sobre os fatos
corriqueiros, mas sobre o que ele pensou sobre os fatos corriqueiros, sua visão
do momento, do fato, do acontecido. Todos nós vivemos nossas vidas pensando
sobre coisas que acontecem. Gostamos de algumas coisas, desgostamos de outras.
Muitas vezes temos algo a dizer sobre alguma coisa. Mas a maioria dessas
opiniões nem sequer são ditas em voz alta, muito menos registradas para a
eternidade em uma obra de quadrinhos.
Harvey Pekar fez pelos quadrinhos fez para os quadrinhos o
que o Youtube está fazendo com a televisão hoje em dia. Você não precisa de
nenhuma característica especial pra aparecer. Você tem direito a espaço se tiver algo a dizer. Quem
sabe somente o fato de viver já seja uma obra de arte em si. Para maioria das
pessoas essa arte ficará para sempre sem público. Não para o Harvey.